Senador contesta decisão tomada pelo Supremo Tribunal
Um dia depois de sofrer um novo revés do STF (Supremo Tribunal Federal), o senador Aécio Neves (PSDB-MG) divulgou uma nota dizendo que seu afastamento do mandato é “uma condenação sem que processo judicial tenha sido aberto”, diz o texto.
“Portanto, sem que sequer ele tenha sido declarado réu e, o mais grave, sem que tenha tido acesso ao direito elementar de fazer sua defesa”, diz a nota.
Por cinco votos a três, a primeira turma do Supremo decidiu na terça-feira impor ao tucano medidas restritivas que o afastam do mandato legislativo e o obrigam a um “recolhimento noturno”.
O tucano deixou o Senado de forma discreta no fim da tarde de ontem, pouco antes da conclusão do julgamento. Desde então, ele não voltou a aparecer em público e só agora decidiu se manifestar sobre o caso.
“As gravações consideradas como prova pelos três ministros foram feitas de forma planejada a forjar uma situação criminosa. Os novos fatos vindos à tona comprovam a manipulação feita pelos delatores e confirmam que um apartamento da família colocado à venda foi oferecido a Joesley Batista para que o senador custeasse gastos de defesa”, disse o senador, atacando seu algoz, hoje preso após ter tido seu acordo revogado pela Justiça.
Aécio foi gravado pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, a quem pediu R$ 2 milhões. Na conversa, que veio a público após a delação de Joesley, ele fala sobre a necessidade de fazer mudanças na estrutura da Polícia Federal.
Na visão do Ministério Público Federal, as declarações do tucano configuram tentativa de obstrução da Justiça, o que deu base para uma denúncia da qual Aécio é alvo.
As acusações são negadas pelo tucano, que afirma ter obtido um empréstimo privado “sem envolver dinheiro público ou qualquer contrapartida, não incorrendo, assim, em propina ou outra ilicitude”, diz o texto.