POLÍTICA

min de leitura - #

Alvo da Lava jato, Eike Batista entra na lista da Interpol

Folhapress

| Edição de 26 de janeiro de 2017 | Atualizado em 27 de janeiro de 2017

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

A Polícia Federal (PF) deflagrou ontem a Operação Eficiência, a nova fase da Lava Jato no Rio de Janeiro. O principal alvo é o empresário Eike Batista. Foi emitido contra ele um mandado de prisão preventiva. Eike é suspeito de ocultar US$ 16,5 milhões de propina do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) no exterior.
O pedido de prisão, contudo, não foi cumprido porque Eike está fora do País. Em entrevista coletiva, o delegado da PF Tácio Muzzi diz que investiga informações de que o empresário teria embarcado para Nova York na terça-feira com um passaporte alemão. A Interpol (Polícia Internacional) já foi acionada e o nome de Eike Batista foi incluído na difusão vermelha do órgão, que é a lista dos criminosos mais procurados em todo o mundo. A defesa de Eike afirmou que ele irá se apresentar às autoridades em breve.
O advogado Sérgio Bermudes, que defende o empresário nas causas cíveis, afirmou que Eike estaria entre Nova York e Miami e viajou aos EUA para cuidar de um processo relacionado ao bloqueio de US$ 63 milhões em bens pela Justiça das Ilhas Cayman. Disse ainda que o cliente viajou outras vezes nos últimos meses e nunca se furtou a se apresentar às autoridades, quando solicitado.
A PF ficou cerca de quatro horas na residência do empresário no Jardim Botânico, zona sul do Rio, onde também cumpriu mandado de busca e apreensão.
Nesta fase, a operação investiga crimes de lavagem de dinheiro e ocultação no exterior de cerca de U$ 100 milhões em remessas contínuas de 2002 a 2007, período em que Cabral acumulou R$ 6 milhões, afirmou o Ministério Público Federal. De acordo com a PF, boa parte dos valores já foi repatriada.
Segundo os procuradores, a organização criminosa liderada por Cabral movimentou R$ 39,7 milhões entre agosto de 2014 a junho de 2015.
“O patrimônio da organização criminosa comandada pelo ex-governador Sérgio Cabral é um oceano ainda não completamente mapeado”, afirmou o procurador Leonardo Freitas, coordenador da Lava Jato no Rio, na entrevista.
Segundo os investigadores, nome da operação, Eficiência, é o mesmo de uma conta bancária de Cabral em Nova York.
Ao todo foram expedidos nove mandados de prisão preventiva e quatro de condução coercitiva, além de 27 mandados de busca e apreensão de acordo com notas emitidas pela PF e o Ministério Público Federal.
Das prisões decretadas nesta fase pelo juiz Marcelo Bretas, da sétima vara federal do Rio, já estão detidos o ex-governador Sérgio Cabral e seus ex-secretários Wilson Carlos e Carlos Miranda. Esse é o terceiro mandado do prisão expedido contra eles.
Ontem, quatro pessoas também haviam sido presas: o advogado Flávio Godinho, vice-presidente de futebol do Flamengo, Thiago Aragão (sócio de Adriana Ancelmo), Álvaro Novis (doleiro) e Sérgio de Castro Oliveira (operador suspeito de abastecer Carlos Miranda). Francisco Assis Neto, outro suspeito de integrar o esquema, ainda não foi localizado.