POLÍTICA

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Amigo do ex-presidente Lula é preso na Lava Jato

Folhapress

| Edição de 25 de novembro de 2015 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi preso em um hotel de Brasília ontem na 21ª fase da Operação Lava Jato. Ele se preparava para ir depor na CPI do BNDES quando foi detido pela Polícia Federal (PF).

Imagem ilustrativa da imagem Amigo do ex-presidente Lula é preso na Lava Jato

O empresário é acusado de envolvimento em fraude no contrato para a operação do navio-sonda Vitória 10.000. A prisão de Bumlai foi decretada pelo juiz Sérgio Moro, e o empresário foi transferido ainda ontem para Curitiba.

A operação foi realizada em parceria com a Receita Federal. Foram cumpridos ainda 25 mandados de busca e apreensão e seis mandados de condução coercitiva, em São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.

O pecuarista foi descrito pelo delator da Operação Lava Jato Fernando Soares, o Baiano, como uma espécie de lobista na Sete Brasil, empresa que administra o aluguel de sondas para a Petrobras no pré-sal. Em depoimento, Baiano disse que em 2011 era representante da empresa OSX, de Eike Batista, que tentava obter contratos na Sete Brasil. Eike nega que Baiano e Bumlai tivessem vínculo com empresas de seu grupo.

O delator afirmou, em depoimento à PF, que Bumlai recebia propina para mediar negócios no setor de petróleo. Baiano, de acordo com o documento, procurou ajuda do pecuarista porque soube que ele tinha proximidade com o ex-ministro Antonio Palocci.

O juiz federal Sérgio Moro afirma que há indícios de que o pecuarista José Carlos Bumlai usou o nome do ex-presidente Lula para obter vantagens. A declaração consta do despacho no qual Moro determinou a prisão do empresário, que é amigo do ex-presidente.

“Não há nenhuma prova de que o ex-presidente da República estivesse de fato envolvido nesses ilícitos, mas o comportamento recorrente do investigado José Carlos Bumlai levanta o natural receio de que o mesmo nome seja de alguma maneira, mas indevidamente, invocado para obstruir ou para interferir na investigação ou na instrução”, diz Moro.

EMPRESAS INATIVAS

A força-tarefa da Operação Lava-Jato também vai investigar os empréstimos concedidos pelo BNDES a empresas inativas do pecuarista José Carlos Bumlai. Duas empresas de Bumlai receberam empréstimos milionários do BNDES, entre 2008 e 2012, totalizando R$ 518 milhões.

‘Se fez alguma coisa, foi sem meu aval’

Assessores diretos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiram ontem na tese de que ele foi surpreendido pela prisão de José Carlos Bumlai, de quem é amigo, pela Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato.

A interlocutores, o ex-presidente tem repetido: “se ele [Bumlai] fez alguma coisa, não foi com meu aval”.

Segundo o discurso de um colaborador de Lula, “não se pode nem confiar no que o marido faz, o que dirá um amigo”.

Apesar da preocupação, a recomendação é que se acompanhe com calma o desdobramento das investigações. Na opinião de auxiliares, há conflito de informações.

De acordo com as investigações, a suspeita é que Bumlai tenha repassado ao PT o dinheiro de um empréstimo efetuado junto ao Banco Schahin

Depoimento em CPI é remarcado

O presidente da CPI do BNDES na Câmara, deputado Marcos Rotta (PMDB-AM), anunciou ontem que convocará o pecuarista José Carlos Bumlai, preso pela Operação Lava Jato, para prestar depoimento à CPI na próxima terça (1º). O depoimento de Bumlai seria ontem, mas acabou sendo inviabilizado porque ele foi preso sob suspeitas de lavagem de dinheiro e envolvimento na intermediação de um negócio na Petrobras para pagar uma dívida do PT.

Em ofício enviado à CPI pela manhã, Sergio Moro havia informado que o pecuarista estava à disposição para ser ouvido, mas que sugeria que não ocorresse nesta semana, já que ele acabou de ser preso e ainda vai ser ouvido pela Polícia Federal.