Em menos de três minutos, o PMDB oficializou na tarde de ontem sua saída do governo Dilma Rousseff. Aos gritos de “Brasil para frente, Temer presidente” e “Fora PT”, o partido aprovou, em reunião presidida pelo vice-presidente do partido, Romero Jucá, uma moção que determina a entrega de todos os cargos no Executivo e a punição de quem desobedecer isso.
Jucá leu a moção, de autoria do diretório regional da Bahia, assinada por Geddel Vieira Lima. O texto fala em “imediata saída do PMDB do governo com entrega dos cargos em todas as esferas do Poder Executivo Federal, importando a desobediência a esta decisão em instauração de processo ético contra o filiado”.
A votação ocorreu de forma simbólica. Nos bastidores, foi decidido que não haveria exposição dos peemedebistas que se posicionassem contrários à decisão.
“A partir de hoje, nessa reunião histórica, o PMDB se retira da base do governo da presidente Dilma e ninguém no país está autorizado a exercer qualquer cargo em nome do partido do PMDB”, afirmou Jucá.
Peemedebistas frisaram, contudo, que “a partir de hoje” é uma colocação simbólica. Segundo o ex-ministro Eliseu Padilha, no entanto, “a decisão é a partir de agora”. “Por óbvio, o cara não vai sair daqui correndo para arrumar a gaveta dele”, acrescentou.
Nos bastidores do partido, ficou combinado que as cadeiras ocupadas pelo partido na Esplanada dos Ministérios devem ser entregues até 12 de abril. “Se houver o pedido, por óbvio vai ser avaliada essa possibilidade. Só devo antecipar que, pelo que analisei, não há essa previsão no estatuto da legenda”, disse.
RESPOSTA
Em reação de emergência ao rompimento do PMDB, o governo já deflagrou uma operação para “repactuar o governo” com a redistribuição de cargos na Esplanada dos Ministérios como forma de garantir os votos necessários para barrar o impeachment na Câmara dos Deputados. A ideia é ter, na próxima sexta-feira (1º), um novo ministério formado e, na próxima semana, realizar a primeira reunião ministerial já com os novos integrantes.
“A decisão (do PMDB) chega em boa hora porque oferece à Dilma a ótima oportunidade de repactuar o seu governo. Um novo governo no sentido de que sai um parceiro importante e abre espaço para um novo governo”, afirmou o ministro-chefe do gabinete pessoal da presidente Dilma Rousseff, Jaques Wagner.