POLÍTICA

min de leitura - #

Após posse, Temer nega rótulo de "golpista"

Folhapress

| Edição de 01 de setembro de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

O plenário do Congresso Nacional deu posse ontem à tarde a Michel Temer (PMDB) como presidente da República. Ele já estava no cargo interinamente desde o afastamento de Dilma Rousseff (PT) por consequência da abertura do processo de impeachment dela, em maio deste ano. A posse foi dada pelo presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL).

No seu primeiro discurso como presidente definitivo, Michel Temer adotou um tom duro e disse que não irá tolerar infidelidades na base aliada e não aceitará mais ser chamado de “golpista”.

Em reunião ministerial no Palácio do Planalto, ele afirmou que divisões no Congresso Nacional de partidos que compõem o governo federal são “inadmissíveis” e “não serão toleradas”.

Imagem ilustrativa da imagem Após posse, Temer nega rótulo de "golpista"

O discurso incisivo foi um recado aos senadores da base aliada que votaram a favor de Dilma Rousseff manter a habilitação para ocupar funções públicas, entre eles o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL).

O Senado Federal cassou o mandato da petista, mas tomou posição favorável a ela ao permitir que ela atue na área pública, o que irritou o novo presidente.

Segundo ele, não é possível que parlamentares governistas adotem posições sem combinarem com o Palácio do Planalto, uma conduta classificada por ele como intolerável.

“Não será tolerada essa espécie de conduta. Quem não quer que o governo dê certo, declare-se contra o governo e saia”, disse.
O novo presidente chegou a afirmar que a decisão foi tomada sem a consulta ao governo federal e está sendo vista como uma derrota do Palácio do Planalto.

“Não foi derrota, mas o discurso que tem sido feito é nessa direção, que membros do governo, sem consulta, se manifestaram contra o governo”, disse.

Antes do início da reunião, o peemedebista reclamou com ministros a decisão e a avaliou como “inaceitável” e “inconstitucional”.
Em uma resposta à presidente afastada, que chamou de golpe o desfecho do processo de impeachment, Michel Temer ressaltou que agora o governo federal “não levará mais ofensa para a casa”.
Segundo ele, a ordem a partir de agora é contestar com firmeza e energia o discurso da gestão passada, ressaltando que não houve ruptura constitucional ou desrespeito à Constituição Federal.
“Agora, não vamos levar ofensa para a casa”, disse. “Nós precisamos responder. Se falou, nós respondemos. Não podemos deixar uma palavra”, acrescentou.

TV E RÁDIO

À noite, Michel Temer fez seu primeiro pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV como presidente efetivo. Na fala, disse que o “pior já passou”, afirmando que o país está retomando a confiança no crescimento econômico.

No pronunciamento, ele afirmou também que o governo não terá como garantir o pagamento da aposentadoria sem uma reforma na Previdência Social. “Para garantir o pagamento das aposentadorias, teremos que reformar a Previdência. Sem reforma, em poucos anos o governo não terá como pagar os aposentados”, disse Temer, defendendo ainda mudanças nas regras trabalhistas.
Temer gravou a fala antes mesmo de tomar posse no Senado. No pronunciamento, ele adotou ainda um discurso de pacificação. “Meu único interesse, e que encaro como questão de honra, é entregar ao meu sucessor um país reconciliado, pacificado e em ritmo de crescimento”, assinalou.

Richa espera retomada do crescimento
O governador Beto Richa (PSDB) comentou ontem, pelas redes sociais, que o Brasil “virou uma página importante de sua história” com a aprovação, pelo Senado, da cassação do mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). “É fundamental agora que todos se somem aos esforços na reconstrução da nossa economia, na geração de empregos e no atendimento às demandas sociais”, defendeu o tucano. “É hora de colocar um ponto final na crise que nos atinge há mais de dois anos para que o Brasil retome o caminho do crescimento em bases sólidas”, disse Richa.