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Beto Richa deixa prisão e ataca delator

Editoria de Política

| Edição de 16 de setembro de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Imagem ilustrativa da imagem Beto Richa deixa prisão e ataca delator

O ex-governador do Paraná e candidato ao Senado pelo PSDB, Beto Richa, deixou a prisão no início da madrugada de ontem. Preso desde a última terça-feira no Regimento da Polícia Montada, no bairro Tarumã, em Curitiba, ele foi solto após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, na noite de sexta-feira. 
Além dele, foram libertados todos os demais investigados pelo Ministério Público do Paraná na Operação Rádio Patrulha, incluindo sua mulher, Fernanda Richa, e o irmão e ex-secretário de Infraestrutura, Pepe Richa. Fernanda Richa recebeu antes o alvará e foi solta à meia-noite. Saiu em um carro fechado e não falou com os jornalistas.
Ao deixar a prisão, o ex-governador disse que foi vítima de uma “crueldade enorme”. “Eu não merecia o que aconteceu. Mas estou de cabeça erguida e respondo às acusações sem a menor dificuldade”, declarou. 
Richa é suspeito de participar de fraudes à licitação e desvios de dinheiro público em obras de estradas rurais no Paraná, durante seu mandato (2011-2018). Ele nega as suspeitas, e sua defesa afirma que a prisão foi “oportunista”.
O tucano ainda acusou o delator que levantou as suspeitas contra ele, o ex-deputado estadual e antigo amigo de Richa, Tony Garcia - que já foi preso e condenado por crimes financeiros. “A sua história de vida não demonstra nenhuma credibilidade. Ao contrário”, declarou Richa. “Aí eu pergunto: vale a palavra dele ou a minha palavra?”, questionou o ex-governador. “Entrei aqui um homem honrado e saio daqui um homem honrado. Agora quero abraçar meus filhos e netos e voltar à campanha”, concluiu. 
O Ministério Público apontou o tucano como principal beneficiário de um esquema de desvio em obras públicas, ocorrendo fraude em uma licitação de R$ 70 milhões. O MP defendeu que a prisão preservava provas e impedia a interferência do grupo em testemunhas. 
Antes da decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, o juiz Fernando Fischer, da 13ª Vara Criminal de Curitiba, havia convertido as prisões temporárias em preventivas do ex-governador e de outros nove investigados na operação considerando haver risco à ordem pública e à ordem econômica. Na última sexta, Beto Richa foi levado a depor no Gaeco, mas preferiu ficar calado. Fernanda Richa também prestou depoimento e falou por mais de uma hora.