POLÍTICA

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Beto Richa sai em defesa do impeachment de Dilma

Da Redação

| Edição de 12 de dezembro de 2015 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Depois de participar de reunião da cúpula nacional do PSDB na quarta-feira à noite, em Brasília, o governador Beto Richa (PSDB) defendeu ontem o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Richa mantinha até agora um discurso neutro em relação ao assunto, mas resolveu se manifestar após o PSDB fechar posição em favor do afastamento da petista do cargo.

"Existem indícios fortes de infrações graves à Lei de Responsabilidade Fiscal, conforme o Tribunal de Contas da União apontou", avaliou o tucano em postagem no Facebook. "O papel do PSDB é apoiar, com serenidade e muita responsabilidade, os movimentos das ruas, do Congresso e da Justiça", defendeu o tucano.

Imagem ilustrativa da imagem Beto Richa sai em defesa do impeachment de Dilma

Participaram da reunião em Brasília os seis governadores do PSDB, além do senador Aécio Neves, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e integrantes da cúpula da legenda.

A adesão dos governadores ao movimento que prega o afastamento de Dilma representa uma guinada. Muitos integrantes do PSDB que comandam Estados vinham evitando tratar do assunto abertamente, como é o caso de Richa. "Há um sentimento hoje convergente dentro do PSDB de que as razões objetivas para o que o impeachment venha a ser aprovado pela Câmara e o Senado estão colocadas", afirmou Aécio.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que os motivos apontados na ação que tramita na Câmara são suficientes para justificar o impeachment de Dilma. Ao falar sobre o assunto, ele citou o vice-presidente Michel Temer (PMDB) como um dos especialistas que atestaram essa tese.

"São [suficientes]. O impeachment, como diz o vice-presidente Michel Temer no seu livro, e outros juristas, é um processo jurídico-político. Desrespeitar reiteradamente a Lei de Responsabilidade Fiscal tendo em vista benefícios eleitorais é uma razão consistente", disse.

O ex-presidente, porém, ponderou que é preciso haver "clima" para o afastamento acontecer. "Se não houver, não há razão que derrube um presidente eleito".

Aécio afirmou que o PSDB vai apoiar e acompanhar as manifestações de rua e defendeu que o Congresso só volte a despachar sobre o impeachment a partir de janeiro. A justificativa é de que é preciso dar tempo para a sociedade avaliar o assunto.

“Não é nenhuma novidade”, diz presidente

A presidente Dilma Rousseff disse ontem que "não é nenhuma novidade" o PSDB ter fechado questão a favor do impeachment e argumentou que o pedido acatado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem base da cúpula tucana. "Fica uma coisa um pouco hipócrita da nossa parte fingirmos que não sabemos disso", afirmou Dilma.
Questionada por jornalistas sobre o fechamento de questão da legenda de Aécio Neves (PSDB-MG), seu adversário nas eleições de 2014, Dilma foi enfática ao dizer que não estava surpresa. “Não é possível que os jornalistas aqui presentes tenham ficado surpreendidos. Aliás, a base do pedido e das propostas do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é o PSDB, sempre foi. Ou alguém desconhece esse fato?", declarou após participar da cerimônia da 21ª edição do prêmio Direitos Humanos, no Palácio do Planalto.
Alinhado à presidente, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) disse que o PSDB, desde a vitória de Dilma, tenta "encontrar fatos para o impeachment" ao pedir a recontagem de votos logo após a eleição, por exemplo.