POLÍTICA

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Bispos lamentam exploração da fé e da religião nas eleições

Da Redação

| Edição de 11 de outubro de 2022 | Atualizado em 11 de outubro de 2022
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da fé e da religião nas eleições

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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lamentou o uso da religião como forma de angariar votos no segundo turno. Por meio de nota divulgada nesta terça-feira, a CNBB afirmou que “a manipulação religiosa desvirtua valores do Evangelho e tira o foco dos reais problemas que precisam ser debatidos e enfrentados no País”.

Sem mencionar candidatos, a organização reprova o uso de “momentos especificamente religiosos” por candidatos “para apresentarem suas propostas de campanha e demais assuntos relacionados às eleições”. “Ratificamos que a CNBB condena, veementemente, o uso da religião por todo e qualquer candidato como ferramenta de sua campanha eleitoral”, afirma nota assinada pelo presidente da entidade, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte.

O Estado brasileiro é laico. A Lei das Eleições (Lei 9.504/97), inclusive, proíbe a veiculação de propaganda eleitoral em templos religiosos.

No último sábado, o presidente Jair Bolsonaro (PL) participou de uma romaria fluvial em celebração ao Círio de Nazaré, em Belém, no Pará. O percurso é uma das 13 procissões que integram a festividade, em homenagem à Nossa Senhora de Nazaré. A Arquidiocese de Belém, responsável pela organização do evento, disse não ter convidado “qualquer autoridade seja em nível municipal, estadual ou federal” para o Círio e que não deseja e nem permite “qualquer utilização de caráter político ou partidário das atividades do Círio”.

Nesta terça-feira, a Arquidiocese de Aparecida, em São Paulo, também divulgou nota para desvincular as atividades desta quarta-feira, 12, Dia de Nossa Senhora Aparecida à política.

“Nesta segunda-feira, dia 10 de outubro, o Cerimonial da Presidência da República informou que o presidente Jair Bolsonaro pretende participar de uma das missas do dia 12 de outubro. Assim como em outros anos, o Santuário recebe a visita e se programa para acolher o Chefe de Estado, buscando também garantir a rotina de visita dos romeiros. Na agenda de Jair Bolsonaro consta a participação em um Terço que será rezado na cidade de Aparecida. Assim, reforçamos que esta atividade não é celebrada pelo Santuário Nacional e nem está sob a supervisão do Arcebispo de Aparecida”, informou o Santuário Nacional de Aparecida.

O segundo turno das eleições para presidente tem sido marcado por “guerra santa” travada em torno de temas religiosos nas redes sociais. Enquanto bolsonaristas espalharam um vídeo sobre o suposto apoio de um influenciador satanista a Lula, opositores de Bolsonaro resgataram uma gravação antiga do presidente em uma loja maçônica, passaram a se infiltrar em grupos e espalhar desinformação.

Bolsonaro costuma chamar a eleição de “luta do bem contra o mal” e criticar o que chama de “fechamento de igrejas” na pandemia de Covid-19, reforçando a pauta religiosa da sua campanha. Já Lula acusa Bolsonaro de tentar manipular a boa-fé de evangélicos e chegou a declarar que o presidente é “possuído pelo demônio”.