Em café da manhã com jornalistas nesta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro criticou o fato de pautas como fechamento do Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal) estarem entre as reivindicações dos atos marcados para o próximo domingo.
Seus apoiadores chamam uma manifestação para esta data em apoio ao governo como resposta aos protestos do último dia 15, em que professores e alunos marcharam contra cortes na Educação.
De acordo com a BandNews, que estava presente no café, o presidente disse que esse tipo de pauta “está mais para Maduro”, em referência ao ditador venezuelano Nicolás Maduro, de quem é crítico.
Apesar da fala, o próprio Bolsonaro já defendeu no passado –quando ocupava o cargo de deputado federal– o fechamento do Congresso.
Em julho do ano passado, um de seus filhos, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), disse durante uma aula que bastava “um cabo e um soldado” para fechar o Supremo.
O presidente, que chamou manifestantes contra cortes na educação de “massa de manobra, afirmou nesta quinta que os atos de domingo são espontâneos.
Ele, que cogitou comparecer, foi aconselhado a manter distanciamento para que isso não contamine seu governo.
Bolsonaro voltou a minimizar a derrota imposta pela Câmara ao ministro da Justiça, Sergio Moro, que teve tirado de seu comando o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). “Continua no governo, não tem problema”, resumiu Bolsonaro.
Após uma série de embates, o plenário da Câmara aprovou nesta quarta a medida provisória que reestrutura o governo Bolsonaro, incluindo o enxugamento do número de ministérios implantado no começo do mandato.
O Coaf, que havia sido transferido à Justiça, voltou ao comando do Ministério da Economia, o que representa uma derrota a Moro.
Apesar dessa derrota, a aprovação da MP é positiva para Bolsonaro no geral, devido às dificuldades do governo para colocá-la em votação e ao risco de ela caducar até 3 de junho –o texto ainda precisará passar pelo Senado.
VOTAÇÃO FINAL
O plenário da Câmara terminou de aprovar ontem a medida provisória do presidente Jair Bolsonaro que reestrutura os ministérios. A finalização só foi possível porque líderes construíram acordo com o centrão para fazer avançar projeto de lei sobre o Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). A ideia era incluir no texto a discussão sobre as atribuições dos auditores da Receita Federal.
O texto agora vai ao Senado, onde tem que ser aprovado até o dia 3 de junho. Caso contrário, o governo passa a ter a mesma configuração que tinha na gestão de Michel Temer (MDB).