POLÍTICA

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Bolsonaro demite secretário após discurso nazista

Da Redação

| Edição de 18 de janeiro de 2020 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Sob pressão tanto do Poder Legislativo como da comunidade judaica, o presidente Jair Bolsonaro anunciou ontem a demissão do secretário especial de Cultura, Roberto Alvim. Em nota oficial, ele classificou como "infeliz" o fato do auxiliar presidencial ter parafraseado um discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista, e ressaltou que, mesmo que ele tenha se desculpado, o episódio "tornou insustentável a sua permanência".

"Reitero nosso repúdio às ideologias totalitárias e genocidas, bem como qualquer tipo de ilação às mesmas", afirmou. "Manifestamos também nosso total e irrestrito apoio à comunidade judaica, da qual somos amigos e compartilhamos valores em comum", acrescentou.
Bolsonaro e Alvim conversaram durante a manhã, após a repercussão negativa do episódio. O presidente chegou a dizer ao secretário especial que ele permaneceria no posto. Horas depois, no entanto, foi obrigado a recuar.
Ao longo da manhã, deputados e senadores entraram em contato com o Palácio do Planalto cobrando a exoneração. Segundo relatos feitos à reportagem, líderes da comunidade judaica, cujo apoio ao governo é considerado estratégico pelo presidente, também pediram a Bolsonaro a demissão de Alvim. 
No discurso postado nas redes sociais, Alvim dizia: "A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada."
"A arte alemã da próxima década será heroica, será ferramenta romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada", disse o ministro de cultura e comunicação nazista em 8 de maio de 1933 em um pronunciamento para diretores de teatro, segundo o livro "Joseph Goebbels: uma Biografia", de Peter Longerich, publicado no Brasil pela Objetiva. (FOLHAPRESS)