O presidente Jair Bolsonaro (PL) se irritou com uma pergunta sobre o Centrão nesta terça-feira, e abandonou a entrevista coletiva que concedia no evento Diálogos com Candidatos à Presidência da República, organizado pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs).
Primeiro, após discursar para empresários dos setores de comércio e serviços, o candidato à reeleição encontrou uma senhora venezuelana e pediu que a imprensa fizesse perguntas a ela. Bolsonaro costuma citar a Venezuela, governada de forma ditatorial pelo esquerdista Nicolás Maduro, para atacar o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera as pesquisas de intenção de voto para o Palácio do Planalto.
Em seguida, quando questionado se ele se sentia constrangido por negociar com o Centrão, Bolsonaro respondeu que precisava “aprovar projetos”. “Todos os 513 (deputados) que estão dentro da Câmara são votantes. E é ali que eu tenho que tirar 308 votos (para aprovar uma PEC) ou 257 em cada votação”, disse Bolsonaro.
Um dos profissionais da imprensa presente perguntou ao presidente se o Ministério da Cidadania tinha sido “entregue” ao grupo político, mas ele negou. “Tchutchuca do Centrão? Você não tem classe para fazer a pergunta, não? Quem é Tchutchuca do Centrão? Me apontem ministérios entregues para políticos, me apontem! João Roma? (Ex-ministro da Cidadania) tenente do Exército. Botei o João Roma lá. Fez um bom trabalho”, afirmou aos jornalistas.
Ao ser perguntado se a indicação para o Ministério da Cidadania não tinha sido do partido Republicanos, Bolsonaro não respondeu e reclamou que “não dá para conversar” com os jornalistas, deixando o local da entrevista. (ESTADÃO CONTEÚDO)