POLÍTICA

min de leitura - #

Brasil é governado por “um bando de maluco”, diz Lula em entrevista

MÔNICA BERGAMO CURITIBA

| Edição de 27 de abril de 2019 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva afirmou ontem, em entrevista exclusiva concedida à Folha de S. Paulo e ao jornal El País, que o Brasil está sendo governado por “um bando de maluco”. Lula disse ainda ter obsessão para “desmascarar” o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, responsável por sua condenação no caso do tríplex de Guarujá (SP).

Apesar de várias críticas contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL), o petista afirmou que “ou ele constrói um partido sólido, ou não perdura”. Lula disse que a elite brasileira deveria fazer uma autocrítica depois da eleição de Bolsonaro. “Vamos fazer uma autocrítica geral nesse país. O que não pode é esse país estar governado por esse bando de maluco que governa o país. O país não merece isso e sobretudo o povo não merece isso”, afirma.
E comparou o tratamento que a imprensa dá a ele com o que reserva ao atual presidente da República. “Imagine se os milicianos do Bolsonaro fossem amigos da minha família?”, questionou, referindo-se ao fato de o filho do presidente, Flávio Bolsonaro, ter empregado familiares de um miliciano foragido da Justiça em seu gabinete quando era deputado estadual pelo Rio.
Lula reservou ao ex-magistrado Sérgio Moro, o primeiro que o condenou pelo caso do tríplex do Guarujá, algumas de suas principais ironias. “Sempre riram de mim porque eu falava ‘menas’. Agora, o Moro falar ‘conje’ é uma vergonha”, afirmou. Lula disse também acreditar que “Moro não sobrevive na política”.
“Eu tenho uma obsessão”, afirmou. “Porque eu tenho certeza, o Moro tem certeza [da inocência dele]. Se as pessoas não confessarem agora, no dia da extrema unção vão confessar. Ele [Moro] tem certeza que eu sou inocente”.
Sobre a possibilidade de nunca mais sair da prisão, ele disse que “não tem problema”. “Eu tenho certeza de que durmo todo dia com a minha consciência tranquila. E tenho certeza de que o Dallagnol não dorme, que o Moro não dorme”.
O ex-presidente chorou quando falou da morte do neto Artur, de 7 anos, vítima de uma bactéria, há um mês. Ele disse ainda acompanhar os desacertos entre Bolsonaro e o vice-presidente Hamilton Mourão. Lula falou ainda da necessidade de diálogo entre partidos de esquerda.
A entrevista chegou a ser censurada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), decisão que foi revista na semana passada. O encontro, com duração de duas horas e dez minutos, aconteceu em uma sala preparada pela PF na sede do órgão em Curitiba, onde está preso. Os jornalistas ficaram a uma distância de 4 metros de Lula. Segundo a PF, este é o protocolo de segurança comum a todos os presos.
Lula foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá. Ele está preso desde abril de 2018, depois de ter sido condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), a segunda instância da Justiça Federal.
Na última terça-feira (23), em decisão unânime, a Quinta Turma do STJ reduziu a pena do ex-presidente para 8 anos, 10 meses e 20 dias, abrindo caminho para ele saia do regime fechado em setembro. O petista já foi condenado também no caso do sítio de Atibaia (SP) a 12 anos e 11 meses. O caso, porém, ainda passará pela análise do TRF-4.