POLÍTICA

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Candidatos apostam em retorno de votos através das redes sociais

Claudemir hauptmann

| Edição de 16 de setembro de 2022 | Atualizado em 16 de setembro de 2022
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A busca de um relacionamento mais próximo e direto com os eleitores faz com que os candidatos invistam cada vez mais no marketing digital, através das chamadas redes sociais. Para se ter ideia, os gastos com impulsionamentos – aumentar de forma paga o alcance original de uma publicação, para que atinja um público mais amplo e selecionado -, já são maiores do que as despesas com os tradicionais materiais impressos, como adesivos e santinhos e bandeirolas. 

Apenas considerando as duas principais candidaturas ao governo do Estado, a de reeleição do governador Ratinho Júnior (PSD) e Roberto Requião (Federação PT, PCdoB e PV), o total de investimentos em marketing digital passa de R$ 1 milhão. De cada R$ 8 investidos na campanha – considerando desde despesas com advogados, pessoal, impressos e alimentação, transporte e combustíveis -, pelo menos R$ 1 está sendo destinado aos impulsionamentos nas redes sociais.

Segundo dados no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as candidaturas, o divulgacandcontas, Ratinho Júnior tem um orçamento total de R$ 4,6 milhões (R$ 4 milhões do partido), dos quais R$ 217 mil destinados a impulsionamentos, mais R$ R$ 187 mil pagos ao Google e R$ 30 mil ao Facebook. Outras despesas relevantes da candidatura do governador são R$ 2,5 milhões na produção de programas de rádio e de TV, mais R$ 663 mil em adesivos e R$ 150 mil com advogados.

Já Requião tem um orçamento total de R$ 4 milhões e as despesas com impulsionamentos passam de 10%. Segundo o TSE, são R$ 435 mil para esse tipo de ação de marketing digital. Os programas de rádio e TV da campanha de Requião custam R$ 732 mil, os adesivos devem consumir R$ 176 mil e materiais impressos outros R$ 89 mil.

As despesas com marketing digital também são muito expressivas nas campanhas ao Senado. Álvaro Dias (Podemos) tem um orçamento total de R$ 5 milhões para a campanha (R$ 4,4 milhões do partido) e os gastos com impulsionamentos são de R$ 75 mil no Facebook e R$ 45 mil no Google. A campanha de Álvaro ainda lançou R$ 358 mil gastos em adesivos, R$ 280 mil em publicidade em jornais e revistas e R$ 227 mil em impressos em geral.

Sérgio Moro (União Brasil), tem orçamento de R$ 2,5 milhões (R$ 2,2 milhões do partido) na campanha ao senado. Entre as despesas lançadas no portal do TSE, chama a atenção os gastos com advogados, que chega a R$ 700 mil, que só perde para as despesas com a produção de programas de rádio e TV, que são de R$ 841 mil. A campanha de Moro lançou despesas de R$ 90 mil com o Google e mais R$ 7,8 mil com o Facebook, além de outros R$ 132 mil em impulsionamentos.


Impulsionamentos somam boa parcela das despesas

Entre os candidatos de Apucarana e região, os impulsionamentos nas redes sociais também representam parcelas importantes das despesas de campanha. O candidato a deputado federal Beto Preto (PSD), por exemplo, tem orçamento total de R$ 1,8 milhão (R$ 1,7 milhão do partido), com despesas de publicidade impressa em R$ 363 mil e outros R$ 37 mil com adesivos. Os impulsionamentos de publicações nas redes sociais têm despesas totais de R$ 163 mil, conforme lançamentos no site do TSE.

O deputado federal Sérgio Souza (MDB) que tem orçamento total de R$ 1,9 milhão (R$ 1,5 milhão do partido), é o que menos tem despesas com impulsionamentos. Todo o orçamento de comunicação e marketing de campanha é de R$ 150 mil. Outras despesas importantes da campanha dele são R$ 673 mil com pessoal, R$ 200 mil com advogados e R$ 156 mil com publicidade impressa.

Outro candidato a deputado federal, Oduwaldo Calixto (PL), de Arapongas, tem orçamento de campanha de apenas R$ 26,8 mil (R$ 2,5 mil do partido) e as despesas com impulsionamentos de conteúdo são de R$ 3 mil, além de R$ 10,5 mil com impressos e R$ 3,7 mil com adesivos.


Candidato deve ficar sempre em evidência no ambiente digital

Especialista em marketing digital, responsável por duas agências em Apucarana – uma de marketing digital e outra de influenciadores -, Gabriel Schartz acredita que, de fato, em breve as campanhas serão feitas basicamente no ambiente digital. Porém, ele adverte que o marketing digital não pode ser visto como uma ciência exata. “É claro que quanto mais se investe, mais possibilidade de alcance se tem. Mas não gera conversão. A vantagem é deixar o candidato sempre em evidência no ambiente digital”, explica.

Schatz, que não se mostra surpreso com a quantidade de recursos investidos pelas candidaturas no Paraná, acredita, no entanto, que as despesas com mídias tradicionais, como os impressos, devem ser mantidas nas próximas eleições. “Os santinhos, adesivos e bandeiras ainda são uma forma de alcançar as pessoas nas periferias, que não têm acesso à internet. Os investimentos nas redes sociais ajudam a colocar o candidato em contato com o público mais jovem e com os formadores de opinião, que estão nesse ambiente. Mas tem uma grande parcela da população, como os mais velhos e mais pobres, que ainda serão alcançados pelas mídias impressas”.

Ele lembra que o marketing político nas redes sociais parte do pressuposto da criação de pontos de contato mais próximos entre o candidato e o eleitorado em potencial, um estabelecendo marketing de relacionamento. E é justamente essa a ideia das redes sociais, ser um canal rápido, fácil e barato para que candidatos possam dialogar com os eleitores, e eles com os candidatos.