POLÍTICA

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Centrais sindicais fazem exigências para a reforma da previdência

Folhapress

| Edição de 17 de maio de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Centrais sindicais aceitam negociar uma reforma na previdência, desde que ela afete somente novos trabalhadores e que isenções fiscais para empresários sejam reduzidas.

Ontem, a cúpula do governo de Michel Temer se reuniu com representantes de quatro das seis maiores centrais sindicais: Força Sindical, UGT, CSB e Nova Central.

Na reunião, Temer indicou que pretende enviar uma proposta fechada de reforma previdenciária ao Congresso Nacional ainda no primeiro semestre e que quer torná-la um dos eventuais legados de sua passagem pelo Palácio do Planalto.

Imagem ilustrativa da imagem Centrais sindicais fazem exigências para a reforma da previdência

No encontro, ele disse que o governo federal não fará nada sem conversar com as entidades sindicais. Disse que não pretende mexer em direitos adquiridos e chegou a se queixar das pressões a seu governo interino.

Ficou acertada a criação de um grupo de trabalho que começa a discutir a questão amanhã. A partir de então, o grupo terá 30 dias para desenvolver uma proposta.

“Lendo os jornais de domingo, dá a impressão que já estou no cargo há um ano e meio”, afirmou.

CUT e CTB, centrais historicamente ligadas ao PT e ao PC do B, respectivamente, recusaram-se a participar da reunião.

A indicação de que o governo quer uma reforma urgente na previdência foi o primeiro ponto de atrito da nova gestão com correligionários. Representantes sindicais rejeitaram de pronto a imposição de uma idade mínima para a aposentadoria - o que ainda está na pauta do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

IDADE MÍNIMA

Em exposição aos movimentos sindicais, Meirelles afirmou que a intenção não é chegar a uma solução intermediária, mas uma solução acordada. Ele criticou ainda a possibilidade de a proposta causar uma “desagregação no país” entre trabalhadores e empresários.

A pressão imposta pelas centrais sobre o ministro Meirelles produziu uma resposta na reunião.

“Não dá pra viver à margem da insensatez: cada um pensando no seu, quando o país caminha para uma desagregação”, diz Meirelles. Depois, o ministro parafraseou Nelson Rodrigues. “Nada mais brutal do que os fatos”.

Para eles, a fórmula 85/95 - a qual indica a soma da idade com o tempo de contribuição que mulheres e homens, respectivamente, devem ter para se aposentar - já resolve a questão. Essas somas mudarão até 2026, quando serão de 95 e 100 anos.

As centrais querem discutir separadas as questões da previdência rural, que apresentou déficit superior a R$ 90 bilhões em 2015, dos problemas das previdências urbana e dos servidores públicos.

Os sindicalistas também não abrem mão de que as mudanças aprovadas na previdência devem valer apenas para os novos trabalhadores.