A assessoria da governadora Cida Borghetti (PP), candidata à reeleição, informou que o departamento jurídico da “Coligação Paraná Decide” formalizou nesta sexta-feira pedido ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para exclusão do ex-governador Beto Richa (PSDB), candidato ao Senado, da chapa, por infidelidade à coligação. De acordo com a assessoria, o afastamento é justificado por “conexões diretas do ex-governador com a candidatura de Ratinho Júnior (PSD)” ao governo. Na semana passada, Richa esteve preso por três dias na Operação Rádio Patrulha, do Gaeco, acusado de participar de um esquema de favorecimento de licitação de obra pública.
De acordo com o pedido entregue ao TRE, o ex-governador, mesmo sendo presidente do Diretório Estadual do PSDB, autorizou que seus principais deputados e membros de seu grupo político participassem ativamente da campanha eleitoral de Ratinho Júnior, a exemplo do deputado estadual Ademar Traiano (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa, que participou da convenção do candidato (em 21 de julho), e do deputado federal Valdir Rossoni (PSDB), ex-chefe da Casa Civil, que declarou apoio a Ratinho Júnior. A assessoria de Cida enfatiza na nota que o ex-secretário da Agricultura do governo Richa, Norberto Ortigara, é hoje coordenador da campanha majoritária de Ratinho Júnior e o prefeito de Guarapuava, Cesar Filho (PPS), é coordenador regional da campanha do candidato e de Beto Richa.
‘OPORTUNISMO”
Richa disse ontem pela manhã, em entrevista na rádio Jovem Pan, que “não” houve um rompimento com Cida. “Politicamente o senhor rompeu com a governadora Cida Borghetti?”, perguntou o jornalista.
“Não. Cada um faz sua campanha. Já está assim desde o começo. Cada um faz sua campanha, temos vários parceiros em todos os partidos. Eu, como disse, sempre tratei a todos com educação, nunca fiz politicagem, demagogia. Nunca fui oportunista. ‘Esse cara tá mal, vou me afastar dele. Opa, aquele lá tá bem, tenho que me aproximar’. Eu já passei... A vida do político é cíclica. Acompanhei com meu pai. Quando pai estava no auge, todo mundo queria estar ao lado dele. Depois teve queda, voltou a subir. Eu já passei por esse ciclo diversas vezes na minha vida. Na vida pessoal, mas na política é pior ainda. O oportunismo de pessoas que querem se aproveitar do seu momento de glória, mas no momento da tristeza largam da sua mão e ainda tentam chutar a sua cabeça. Mas não tem problema, não”, afirmou o ex-governador. (EDITORIA DE POLÍTICA)