O comércio de Apucarana fechou ontem as portas por uma hora em protesto contra a corrupção no governo federal e em defesa do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). A manifestação, organizada pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Apucarana (Acia) e Sindicato Varejista de Apucarana (Sivana), reuniu centenas de lojistas, comerciantes e moradores.
Das 10h às 11h, os lojistas fecharam as portas e os funcionários ficaram em frente aos estabelecimentos e depois seguiram em passeata pela área central. Muitos vestiam roupas nas cores da bandeira do Brasil, enquanto outros usavam roupas pretas para manifestar luto em relação à crise política e as dificuldades econômicas enfrentadas pelo país.
O presidente da Acia, Junior Serea, discursou durante o ato. Defensor do impeachment da presidente Dilma, ele assinalou que a sociedade “exige mudanças”. Serea também defendeu as investigações da Operação Lava Jato. “Queremos que a Justiça alcance a todos os acusados (de corrupção), independente de sua bandeira e ideologia política”, afirmou. Ele também destacou o papel do Moro e citou a Operação Mãos Limpas, que “varreu” a corrupção na Itália e serviu, inclusive, de inspiração para o próprio magistrado paranaense. “Queremos que Moro chegue ao final da Operação Lava Jato e consiga resultados semelhantes à Operação Mãos Limpas”, afirmou.
Serea também destacou a participação maciça dos comerciantes e também dos funcionários. “Todos estão juntos nessa luta contra a corrupção e para melhorar o Brasil”, assinalou Serea.
A empresária Nilsa Christ, de Apucarana, não esconde sua insatisfação com o governo atual e manifesta “apoio irrestrito” às decisões do juiz Sérgio Moro. “A venda caiu, o dólar subiu e os juros subiram. É impossível manter um comércio desta forma. Se não mudar, o país vai quebrar de vez. Estamos só patinando e descendo o nível”, ressalta.
Dona de três lojas de artigos esportivos, Nilsa explica que, no caso dela, os produtos importados ficaram muito caros e as formas de pagamento mais difíceis. “Antes tínhamos de 14 a 27 dias para pagar a mercadoria importada. Hoje são sete dias, ou seja, nem recebemos o produto e já temos que pagar por ele. É absurda a situação que vivemos”, reforça.
Lauren Machado é gerente de uma loja de brinquedos de Apucarana e também foi para as ruas na manhã de ontem. “Vim defender meus direitos. Precisamos melhorar o Brasil urgentemente. A queda das vendas foi visível. Queremos um país mais justo e sem corrupção. Fora Dilma”, defende.
A vendedora Rafaela Jovem também saiu às ruas. “As pessoas têm que se unir mais e correr atrás de seus ideais. O país vai mal e temos que unir forças nesta luta”, acredita.
ARAPONGAS
Seguindo exemplo de Apucarana, os lojistas de Arapongas farão protesto semelhante na próxima sexta-feira. Lojistas e trabalhadores fecharão as portas às 11 horas para se manifestar contra a corrupção. (Com reportagem de Fernanda Neme)