Os prefeitos eleitos, que tomam posse amanhã, enfrentarão diversos desafios nos próximos quatro anos. A crise econômica é apontada como o maior deles, uma vez que coloca em xeque a capacidade de administrar em tempos de orçamento enxuto. Por outro lado, uma gestão financeira eficaz é indicada como a solução para os cofres públicos. Além de prudência com a execução das despesas diante da recessão econômica, os prefeitos terão que lidar com a crise política, que assola todas as esferas de poder.
Para o presidente da Associação dos Prefeitos do Vale do Ivaí (Amuvi), o prefeito reeleito de Apucarana, Beto Preto (PSD), o mandato vai exigir, assim como nos quatro anos anteriores, “medir da temperatura” da economia todos os dias. “Só assim vamos conseguir fazer novos investimentos”, avalia.
Ele observa que a crise econômica existe desde que tomou posse há quatro anos. Além da recessão, Beto Preto cita que dívidas das gestões anteriores, calculadas em R$ 400 milhões, também desafiaram a administração municipal. “Esse cenário de crise e de dívidas, com certeza, exige um olhar mais técnico e um cuidado maior, para que não haja um desajuste das contas públicas. Neste segundo mandato, não vai ser diferente”, acredita.
De acordo com o prefeito, mesmo em um período de queda de arrecadação, a administração tem trabalhado de forma sensata. Como exemplo, ele cita o reajuste do Imposto Territorial e Predial Urbano (IPTU), que teve aumento de 11,9%, que corresponde basicamente à inflação do período. Ele revela que a previsão orçamentária para 2017 é a mesma de 2015. “Em 2016, trabalhamos como os números de 2015. Houve um acréscimo, mas foi menor que a inflação”, sublinha.
O orçamento mais enxuto, ele reconhece, dificulta o pagamento das dívidas e a implementação de novos investimentos. “Não podemos deixar de quitar as dívidas, porque ficamos sem crédito com os governos estadual e federal. Porém, não entendo que será pior que em 2016, mas vai exigir um trabalho de ajustes diário”, diz.
Entre os ajustes, Beto Preto comenta sobre o corte de cargos comissionados em 24% feito nesta semana. “Em janeiro, vamos apresentar a segunda parte desta reforma”, assinala. Por outro lado, o prefeito diz que é preciso se reinventar. Além disso, ele cita ainda o plano diretor, que impulsionou o setor da construção civil, e também a implementação do Parque Industrial da Juruba.
ARAPONGAS
O prefeito eleito de Arapongas, Sérgio Onofre (PSC), que também será empossado amanhã, avalia que os maiores desafios são a saúde, as erosões deixadas pelas chuvas de janeiro de 2016, além do desemprego, um reflexo direto da crise econômica. “Vamos trabalhar para atender essas três frentes de maneira especial”, diz.
Entretanto, Onofre acredita que o orçamento mais enxuto não será o maior desafio. “O maior desafio é fazer uma boa gestão. Vamos trabalhar com o orçamento que temos e aplicá-lo da melhor maneira de acordo com as necessidades de cada secretaria”, afirma.
Para romper com o avanço do desemprego, Onofre comenta que desde o dia 4 de outubro tem trabalhado para fazer novas parcerias empresariais. “Vamos aproveitar também a Movelpar, para conversar com empresários. Já nos reunimos com vários e apresentamos as vantagens de investir em municípios do interior”, comenta.
Onofre cita ainda a construção autorizada de mil casas, a sede do Detran e o investimento de R$43 milhões pela Sanepar na cidade. “Tudo isso vai movimentar a economia local e começar a gerar empregos”, defende.
Período econômico desfavorável exige austeridade
De acordo com Fábio Hidek (PSC), prefeito reeleito de São João do Ivaí, para enfrentar as dificuldades, principalmente nos dois últimos anos do mandato, foi preciso tomar medidas austeras. “Diminuímos gastos e despesas, tivemos que cortar alguns funcionários e estagiários. Tudo que foi possível fazer para enxugar a máquina pública. Fizemos a lição de casa e, com isso, foi possível pagar todos nossos fornecedores e servidores”, diz.
Ele prevê um início de gestão difícil, mas, segundo ele, “com os pés no chão”. “A nossa esperança é que nos próximos dois anos a economia volte a crescer. Por enquanto, vamos continuar correndo atrás das emendas parlamentares, das sobras e de programas de cadastros voluntários, dando continuidade nas obras sem andamento”, explica.
O prefeito eleito de Ivaiporã, Miguel Roberto do Amaral (PSDB), diz que o período é economicamente desafiador. “É um cenário difícil, com despesas altas e receitas em queda. Porém, acredito que Ivaiporã se preparou nos últimos anos para superar os desafios, ajustando o orçamento de acordo com a realidade e economizando onde foi possível”, comenta Miguel Amaral.
Para o próximo ano, apesar da crise do país, Amaral diz que Ivaiporã terá grandes investimentos, tanto do setor público e privado. “Obviamente que se tivéssemos uma economia estável os investimentos seriam muito maiores. Mas, não podemos parar, com crise ou sem crise, as situações continuam”, completa Miguel Amaral. (IVAN MALDONADO)
Gestão é essencial, diz economista
O economista Rogério Ribeiro, da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), avalia que o setor público vem, há alguns anos, tendo muitas dificuldades financeiras. “A situação não é diferente para os municípios. Para 2017, o cenário não é nada positivo, pois a inflação ainda persistirá e a perspectiva de crescimento da economia é nula. Com isto, os preços aumentam e exigem mais recursos para os mesmos serviços. De outro lado, as receitas não aumentam no mesmo nível. Os municípios que não tiverem equipes técnicas para avaliar cenários de conjuntura econômica poderão enfrentar sérias dificuldades”, avalia.
De forma geral, segundo o especialista, todos os municípios deverão enfrentar dificuldades. “As transferências constitucionais cresceram nominalmente em 2016 com relação a 2015, porém quando consideramos a inflação constatamos que houve uma redução de 2% em termos reais nos repasses da União e do Estado para os municípios”, diz.
“Será necessária muita prudência na execução das despesas, uma vez que a execução orçamentária pode se tornar uma armadilha. Os gestores públicos deverão ter equipes técnicas que façam avaliações constantes de seus fluxos de caixa para que possam garantir a cobertura do custeio mínimo dos municípios”, aconselha.