POLÍTICA

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Cunha afirma que não tem o que relatar e que não renuncia

Folhapress

| Edição de 22 de junho de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou ontem que não tem “o que delatar”. “Não tenho crime praticado”, concluiu.

O peemedebista ainda disse que não pretende renunciar ao cargo de presidente da Câmara. “Como vocês viram, eu não renunciei”, ironizou. O deputado convocou uma entrevista coletiva para rebater acusações e atacar adversários, como a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) e ex-integrantes do governo petista.

Ele ainda fez uma espécie de defesa de seus recursos à Justiça e disse que o processo movido contra ele no Conselho de Ética da Câmara está marcado por uma série de “nulidades”.

Imagem ilustrativa da imagem Cunha afirma que não tem o que relatar e que não renuncia

Cunha falou por mais de 1h20min em um hotel na região central de Brasília. O deputado afastado afirmou que arcou pessoalmente com os custos de aluguel do espaço e que apareceu sozinho diante da imprensa por opção pessoal.

Ele traçou um detalhado retrospecto de como ocorreu o rompimento de seu partido com o PT de Dilma, que culminou com a abertura do processo de impeachment da presidente afastada. Cunha é considerado um dos personagens principais do afastamento da petista do cargo. Foi ele que, em dezembro do ano passado, deu andamento ao processo.

Nesse trecho da fala, acusou o ex-ministro da Casa Civil de Dilma, Jaques Wagner, de ter lhe dito pessoalmente em ao menos três ocasiões que poderia influenciar deputados do PT e o próprio presidente do Conselho de Ética a favor de Cunha caso ele enterrasse os pedidos de impeachment.

Questionado sobre por qual motivo não relatou os encontros com Wagner à época, Cunha disse que “refutou” e “ignorou” as iniciativas. “O problema é que quando você denuncia esse tipo de coisa está sujeito à comprovação, entre duas pessoas que estiveram sozinhas. Hoje, reúno testemunhas e saberei provar.”

Ele chegou a afirmar que se tornou alvo de uma série de ameaças, “ameaças de morte” desde que aceitou o pedido de afastamento da petista, e que optou por não tornar esses episódios públicos. “Só não faço drama em cima disso”, disse.

O peemedebista chegou a ironizar um pequeno protesto que ocorreu do lado de fora do hotel em que falava, dizendo que se tratava de uma prova das agressões que vinha sofrendo por parte de pessoas que “perderam a boquinha” nos governos do PT.

Cunha também desferiu uma série de ataques ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a quem acusou de agir com seletividade. “Quantos petistas estão denunciados?”, indagou Cunha. “Ele age com seletividade e só se concentra no que lhe interessa”, disse Cunha.