Em sua defesa na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) sobre o processo em que é acusado de quebra de decoro parlamentar, o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse ontem que a Câmara não pode criar precedentes que vão contra suas regras e atacou o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PR-BA), e o relator de seu processo, o deputado Marcos Rogério (DEM-GO).
Segundo Cunha, seu processo foi tratado com “má-fé” pelo Conselho de Ética. Cunha listou 16 supostas irregularidades na tramitação de seu processo no conselho, colegiado que votou pela cassação do agora ex-presidente da Casa. O ex-presidente da Câmara disse “concordar com a maioria das colocações” de Rogério no relatório votado no Conselho de Ética. “Porém discordo das conclusões. Porque as conclusões não combinam com o relato feito em cada item pelo relator”, afirmou.
Cunha também acusou o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PR-BA), de desrespeitar o regimento interno da Casa em diversas ocasiões durante o julgamento de seu caso.
Ele atribuiu ao parlamentar baiano a responsabilidade pela demora para conclusão do processo no colegiado, que levou oito meses.
“Eu acredito até que o presidente do Conselho de Ética nem queira me cassar. Esse processo é a única oportunidade de ele aparecer na mídia. É a típica personalidade que precisa abrir a geladeira para acender a luz”, afirmou Cunha.
Cunha disse ainda que seu processo foi político e que nenhum dos recursos e questões de ordem apresentados durante seu processo teriam sido negados se o fosse outro deputado o julgado.
A CCJ adiou no início da noite de ontem, para hoje, a votação do parecer do deputado Ronaldo Fonseca (PROS-DF) sobre o recurso apresentado por Cunha.
CLÁUDIA CRUZ
A defesa de Cláudia Cruz, mulher do deputado afastado Eduardo Cunha, indicou seis deputados federais e dois ministros como testemunhas de defesa na ação penal a que responde na Operação Lava Jato pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
De acordo com a petição endereçada ao juiz federal Sérgio Moro, os advogados afirmam que os parlamentares podem atestar que Cláudia Cruz não tinha envolvimento com negócios de Cunha. Apesar de terem sido indicados como testemunhas, os arrolados podem pedir dispensa dos depoimentos. Os deputados arrolados foram Hugo Motta (PMDB-PB), Felipe Maia (DEM-RN), Carlos Marun (PMDB-MS), Jovair Arantes (PTB-GO), Gilberto Nascimento (PSC-SP) e Átila Lins (PSD-AM). A defesa também indicou os ministros das Cidades, Bruno Araújo, e dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintela Lessa. Ambos se licenciaram da Câmara para assumir os cargos.