O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, entregou ontem ao presidente interino Michel Temer (PMDB) carta de demissão do cargo. Segundo a reportagem apurou, ele afirmou que não quer criar constrangimentos ao presidente interino.
No início deste mês, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que o ministro atuou para obter recursos desviados da Petrobras em troca de favores para a empreiteira OAS.
Em delação premiada, divulgada nesta quarta-feira, o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, afirmou que repassou ao ministro R$ 1,55 milhão em propina entre 2008 e 2014.
Na semana passada, Alves já havia sido aconselhado por aliados de Temer a deixar o posto para evitar o aumento do desgaste na imagem do governo interino.
Em pouco mais de um mês, a saída de Alves é a terceira baixa no primeiro escalão da gestão peemedebista. Antes dele, saíram Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência), após o vazamento de gravações em que ambos criticaram a Operação Lava Jato.
Na manifestação à Suprema Corte, Janot afirmou que parte do dinheiro do esquema desbaratado pela Operação Lava Jato teria abastecido a campanha de Alves ao governo do Rio Grande do Norte em 2014, quando ele acabou derrotado.
A negociação envolveria o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro. As afirmações da Procuradoria constam do pedido de abertura de inquérito para investigar os três, enviado no fim de abril ao Supremo, mas até hoje mantido sob sigilo.
No despacho obtido pela Folha de S.Paulo, Janot aponta que Cunha e Alves atuaram para beneficiar empreiteiras no Congresso, recebendo doações em contrapartida.
“Houve, inclusive, atuação do próprio Henrique Eduardo Alves para que houvesse essa destinação de recursos, vinculada à contraprestação de serviços que ditos políticos realizavam em benefício da OAS”, escreveu Janot.
REPERCUSSÃO
A demissão do ministro teve repercussão de imediato, ontem, na comissão especial do Senado que analisa o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) foi quem trouxe o tema ao ler uma notícia sobre a queda de Alves, minutos após o anúncio. Um dos principais aliados do presidente interino Michel Temer, o senador Waldemir Moka (PMDB-MS) reagiu.
“Esse é um governo que os ministros se demitem. Não ficam se escondendo na saia de ninguém”, afirmou. “Eles não têm é escolha diante da gravidade das denúncias”, rebateu Gleisi.
“Vamos parar de falar em corda em casa de enforcado”, disparou o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), lembrando que há integrantes da oposição investigados na Operação Lava-Jato.