POLÍTICA

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Depoimento de ex-deputado envolve Lula, FHC e outros políticos

Das Agências

| Edição de 28 de maio de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Em depoimento de 132 páginas e 72 anexos, o ex-deputado pernambucano Pedro Corrêa (PP), delator da Operação Lava Jato, faz um relato com detalhes sobre esquemas de corrupção executados desde a época da ditadura militar na Petrobras. No documento, obtido pela revistaVeja, o ex-parlamentar aponta como beneficiários de propina governadores, ex-governadores, senadores, deputados, ministros e ex-ministros de diversos partidos, além de ministros do Tribunal de Contas da União.

Médico por formação, Pedro Corrêa declarou ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na Justiça comum, como funcionava o esquema de desvios na Petrobras e era acertada a partilha de cargos e dinheiro no governo Lula (2003-2010). O ex-deputado dá detalhes, segundo a revista, sobre episódios e negociatas que eram feitos dentro do Palácio do Planalto durante a gestão do petista. Ainda de acordo com a reportagem, Lula gerenciava pessoalmente o esquema de corrupção na estatal – “da indicação dos diretores corruptos da estatal à divisão do dinheiro desviado entre os políticos e os partidos”.

Imagem ilustrativa da imagem Depoimento de ex-deputado envolve Lula, FHC e outros políticos

A revista informa, sempre com base na delação de Pedro Corrêa, que Lula foi o responsável pela indicação e manutenção de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal condenado por Moro a sete anos e seis meses de prisão como um dos operadores das irregularidades em contratos com empreiteiras. O delator descreve situações em que o ex-presidente discutiu com caciques do Partido Progressista, legenda com mais investigados na Lava Jato, sobre a farra nos contratos no departamento comandado por “Paulinho” – como Lula e demais interlocutores o chamavam.

“Uma das passagens mais emblemáticas, segundo o delator, se deu quando parlamentares do PP se rebelaram contra o avanço do PMDB nos contratos da diretoria de Paulinho. Um grupo foi ao Palácio do Planalto reclamar com Lula da ‘invasão’. Lula, de acordo com Corrêa, passou uma descompostura nos deputados dizendo que eles ‘estavam com as burras cheias de dinheiro’ e que a diretoria era ‘muito grande’ e tinha de ‘atender os outros aliados, pois o orçamento’ era ‘muito grande’ e a diretoria era ‘capaz de atender todo mundo’”, diz trecho da reportagem.

FHC

A delação de Pedro Corrêa menciona também a indicação do senador cassado Delcídio do Amaral, ex-líder do governo Dilma no Senado, para a diretoria de Gás e Energia da Petrobras na gestão Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Segundo Veja, coube ao atual ministro-chefe da Secretaria de Governo do interino Michel Temer, Geddel Vieira Lima, bancar a nomeação de Delcídio. Nesse ponto da reportagem, a revista transcreve um diálogo que, incluído na delação, mostra FHC e Geddel falando do assunto.