POLÍTICA

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Dilma empossa ministro e cobra avanços na economia

Folhapress

| Edição de 22 de dezembro de 2015 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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A presidente Dilma Rousseff instruiu ontem a sua nova equipe econômica para que faça o "que for preciso" para retomar o crescimento econômico "sem guinadas e mudanças bruscas" e que trabalhe com "metas realistas e factíveis" para melhorar a contas públicas.

Dilma deu a orientação durante a cerimônia de posse dos ministros da Fazenda, Nelson Barbosa, e do Planejamento, Valdir Simão, realizada no Palácio do Planalto. Em um discurso de cerca de doze minutos, a presidente repetiu várias vezes que é possível conviver com o ajuste fiscal e com medidas para retomar o crescimento econômico, o que era sempre cobrado do agora ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy.

"A alteração da equipe econômica não altera nossos objetivos. [...] Estão prontos para serem a equipe equilíbrio fiscal e da retomada do crescimento", disse. A presidente destacou que é preciso restabelecer o equilíbrio da economia, contendo a inflação e recuperando "com urgência" o crescimento econômico. A presidente também afirmou que continuará defendendo a ampliação do diálogo com o Congresso para que propostas do ajuste fiscal ainda pendentes possam ser analisadas no próximo ano.

Titular do Planejamento até a semana passada, Barbosa assume a Fazenda no lugar de Joaquim Levy. Já Valdir Simão deixou a CGU (Controladoria-Geral da União) para assumir o Planejamento.

Ontem, o novo ministro anunciou a empresários que o governo deve enviar, no começo do próximo ano, uma proposta de reforma da Previdência ao Congresso Nacional, com o estabelecimento de uma idade mínima para aposentadoria.

Imagem ilustrativa da imagem  Dilma empossa ministro e cobra avanços na economia

De acordo com ele, nos últimos meses, vários ministérios têm trabalhado em uma proposta de reforma do sistema de seguridade social, incluindo a idade mínima obrigatória.

De acordo com o ministro, o governo trabalha atualmente com duas propostas, ambas com o objetivo de adaptar os limites de idade para a aposentadoria à evolução demográfica da população brasileira.

Uma delas tornaria o fator 85/95 móvel, o que simularia uma movimentação na idade mínima para a aposentadoria. Essa solução, de acordo com Barbosa, é defendida por parte dos trabalhadores brasileiros.

Ainda ontem, Barbosa disse a investidores estrangeiros que o governo continua comprometido com o ajuste fiscal e que fará o que for necessário para cumprir a meta de superávit primário de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) em 2016. O superávit primário é a poupança que o governo faz para o pagamento dos juros da dívida.

Após posse, dólar fecha acima de R$ 4
O dólar fechou em alta ontem, no maior valor em quase três meses, com a avaliação pessimista do mercado em relação ao novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, que substituiu Joaquim Levy no comando da pasta. As taxas dos contratos de juros futuros também subiram, enquanto o principal índice da Bolsa brasileira afundou pelo segundo dia.
O temor do mercado é que Barbosa ceda a pressões do governo Dilma para dar apoio a medidas "extremas" em busca de fazer a economia voltar a crescer a qualquer custo.
O dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou o dia em alta de 1,89%, para R$ 4,014 na venda. É o maior valor desde 29 de setembro, quando valia R$ 4,097.
Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, avançou 1,89%, para R$ 4,024. Também é o maior valor desde 29 de setembro, quando valia R$ 4,059.
Ambas as cotações atingiram máximas na casa de R$ 4,04 na sessão, logo após declarações de Barbosa, no início da tarde. Em conferência telefônica organizada pelo banco JP Morgan, Barbosa tentou, sem sucesso, tranquilizar os investidores sobre o ajuste fiscal.