A Tribuna inicia hoje entrevistas com os candidatos ao governo do Estado melhor colocados nas intenções de voto das pesquisas eleitorais. E o primeiro entrevistado é Doutor Rosinha, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT).
O petista se diz confiante na vitória no pleito de 7 de outubro e anuncia que fará um governo transparente e com a participação popular nas definições das políticas públicas.
Nascido em Rolândia, Doutor Rosinha, 67 anos, é médico pediatra, foi vereador em Curitiba na década de 80, deputado estadual por dois mandatos e deputado federal por quatro vezes. Durante o governo Dilma Rousseff (PT), Doutor Rosinha foi deputado representante do Brasil no Mercosul.
TRIBUNA DO NORTE - O sr. já foi vereador, deputado estadual e federal e representante do governo Dilma no Mercosul. Porque se propõe agora a ser governador do Paraná?
DOUTOR ROSINHA - Essa não é uma decisão pessoal, é uma decisão coletiva. O Partido dos Trabalhadores tem um programa de governo a ser aplicado e quando vai se discutir as alianças e coligações sempre se discute em cima de um programa de governo. Não sendo possível fazer nenhuma aliança com nenhuma outra candidatura, o PT entendeu por bem que a defesa do seu programa de governo, a defesa do legado de Lula deveria ser feita com uma candidatura própria. E no caso eu, justamente por esses cargos que já ocupei, me coloquei à disposição e estou candidato do PT por unanimidade do PT. Vamos vencer essa eleição e realizar um governo para o povo trabalhador.
TN - Como o sr. avalia a situação do Paraná, hoje, na sequência dos governos de Beto Richa e Cida Borghetti?
DOUTOR ROSINHA - Vejo um resultado catastrófico, se nós olharmos cada um dos pontos. Vamos supor que a gente resolva olhar pelo lado fiscal e orçamentário. O Richa, a Cida Borghetti e o Ratinho Júnior, eles anteciparam o ICMS com um desconto às vezes até acima de 50%, fazendo com que no futuro o Estado terá dificuldade de arrecadação. Eles destruíram o Paraná Previdência, usando os recursos do Paraná Previdência para execução de obras ou até mesmo para tocar a máquina no dia a dia. Isso significa que terá que ser recomposto tudo isso. E isso terá que quer feito ao longo tempo, acima do mandato de quatro anos. Teremos que olhar o tamanho do rombo e provavelmente o planejamento de reposição terá que ser feito por mais tempo.
Na área da educação, basta ver a qualidade da educação, que perdeu muito, e a destruição dos direitos dos professores e servidores públicos, com o fim da data base, da hora atividade, o fim do PDE, que é o Programa de Desenvolvimento Educacional dos professores, ou seja, tudo para perder qualidade.
Se olharmos na área da saúde, hoje o Estado não tem nenhuma estrutura, não dá nenhum suporte aos municípios, sobrecarregando as prefeituras.
Então, a herança que eu receberei é uma herança difícil de enfrentar. Mas nós enfrentaremos e nós superaremos, como Lula enfrentou aquilo que ele recebeu do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 2003. Tudo aquilo que ele recebeu do Fernando Henrique em 2003 ele superou e fez o melhor governo da história do Brasil. E como Lula vou enfrentar tomando posse em janeiro do ano que vem. E como Lula nós superaremos aqui também.
TN - Quais suas principais propostas de emprego e renda para o povo paranaense caso seja eleito para o governo?
DUTOR ROSINHA - A maneira como é organizada a federação do Brasil é uma maneira em que estados e municípios têm pouca capacidade de investimentos. Ela é limitada. Por isso que seria importante uma vitória do Lula para que nós pudéssemos ter um desenvolvimento nacional e os estados fazerem o desenvolvimento juntos. Isso tem que ser casado, não há como atuar sozinho.
Mas dentro da capacidade do Estado, o que nós temos que fazer é definir prioridades. Nós temos algumas empresas estatais como a Copel, Copel Telecom, a Sanepar, a Celepar e o banco regional BNDES. Nós temos que fazer dessas estatais, através delas, buscar investimentos. E nos municípios pequenos, trabalhando junto com os prefeitos, nós temos que criar um sistema de associações e de cooperativas junto aos pequenos para agregar valor na produção agrícola ou até mesmo agregar valor junto às pequenas empresas de produtos e trabalhar com micro e pequenas empresas. Porque as grandes empresas, além de gerar pouco emprego, em qualquer crise como a BRF fez agora em Francisco Beltrão, ela fecha a filial gerando desemprego na cidade.
Nós temos que ter um incentivo às pequenas e micro empresas, às cooperativas, principalmente as pequenas, com o compromisso de manutenção de mão dupla, ou seja, vai o subsídio da Sanepar, pode ser da Sanepar, pode ser da Copel, vai o aval do governo do Estado para as pequenas cooperativas e às associações de pequenos produtores. Em relação a isso vem a contrapartida na outra mão, ou seja, o nível de emprego tem que ser mantido, construído entre o Estado, as prefeituras, as micro e pequenas empresas e as associações de produtores e cooperativas.
TN - Os contratos de pedágio com as concessionárias vencem durante o próximo governo. De que forma pretende conduzir esse processo?
DOUTOR ROSINHA - Os contratos não serão renovados. Serão feitas novas licitações. Eu criarei uma empresa estatal para gestão e administração do pedágio. Faremos uma nova licitação para uma nova concessão dessas rodovias e exigiremos que as tarifas sejam menos da metade do que são hoje e que os contratos sejam cumpridos por essas empresas e faremos ferrenha fiscalização.
Eu farei um sistema de pedágio em que a entrada no sistema não será paga. Neste processo não será paga a segunda entrada. Eu explico para que a pessoa entenda melhor. Como exemplo: qualquer pessoa de Apucarana ou Arapongas que vai a Rolândia e Londrina vai pagar um pedágio. Essa é a entrada no sistema. Uma pessoa que sai de Apucarana para ir até Londrina, ao entrar no sistema ele paga. Na volta de Londrina ele está entrando novamente no sistema no sentido inverso, então ele não pagará o pedágio na volta. Com isso as relações entre os municípios próximos, seja a relação para estudantes, seja a relação comercial, visitar parentes ou ir trabalhar, não pagará pedágio. Isso é possível.
Quando foi criado o pedágio no Paraná eu era deputado estadual e votei contra e apresentei um projeto de lei com este tipo de critério que nunca foi votado e aprovado. Então, nós vamos inovar e renovar todo o processo de pedágio no Paraná.
TN - A questão salarial do funcionalismo público estadual tem gerado muita polêmica no atual governo. Como será resolvida esta questão num eventual governo petista?
DOUTOR ROSINHA - Antes da campanha eleitoral houve um debate sobre o reajuste de 2,76%. Isso aí é possível de ser atendido dentro do orçamento que temos. A partir do ano que vem, em janeiro, farei duas coisas imediatamente. Uma delas é que eu vou recompor a data base e abrirei o processo de negociação através de uma mesa permanente de negociação entre o governo e servidores públicos. Assim, quando chegar a data base já temos um processo negociado de reajuste e de recomposição das perdas salariais ao longo dos quatro anos de governo, ou se necessário até com uma política de Estado indo além dos quatro anos.
TN - Caso eleito, que modelo de governo pretende implantar no Estado?
DOUTOR ROSINHA - Será com total transparência. Hoje nós temos tecnologia suficiente para isso. Dá para se contar até o número de carros que passam pelo pedágio em tempo real. Hoje, se você observar, o Siap, que é o Sistema Integrado da Secretaria da Fazenda, está fora do ar desde janeiro. Ninguém sabe quanto o Estado arrecada, quanto o Estado gasta, com quem gasta e quem está pagando. Então conosco será diferente, será transparência total e com a participação popular nas definições de todas as políticas. Esses dois pontos, através da tecnologia que temos hoje, serão fáceis de serem executados. Então esses dois pontos serão pontos de princípios do meu governo.