POLÍTICA

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Em depoimento de cinco horas, Lula nega compra de tríplex

Agências

| Edição de 11 de maio de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Em depoimento ao juiz Sergio Moro ontem, em Curitiba, que durou cinco horas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou ter ocultado ser dono do tríplex no Guarujá, no litoral de São Paulo. O Ministério Público Federal (MPF) o acusa de ter recebido o imóvel como parte de propina da construtora OAS, que tinha contratos com a Petrobras. “Nunca tive a intenção de adquirir o tríplex”, declarou o petista. Em outro momento do interrogatório, ele reafirmou: “Eu não solicitei, não recebi, não paguei nenhum tríplex. Não tenho”.

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O ex-presidente confirmou, no entanto, que visitou o imóvel, porque a OAS pretendia vendê-lo para sua família. Mas disse que não orientou nenhuma reforma no imóvel. “Eu não orientei... O que eu sei que, no dia que eu fui, houve muitos defeitos mostrados no prédio, defeitos de escada, defeitos de cozinha”, declarou ao juiz.
O interrogatório começou às 14h18 e terminou por volta das 19h10. O petista foi ouvido como réu pela primeira vez nesse processo.
No depoimento, o ex-presidente foi questionado por Moro sobre troca de mensagens que tratam das reformas no sítio e no tríplex. “Eu não sou obrigado a responder mensagens de duas pessoas alheias a mim”, disse Lula, em tom de irritação. “Eu vim aqui preparado para responder tudo o que perguntarem e pra não ficar nervoso. Se tem uma coisa que eu me preparei é pra não ficar nervoso”.
Moro questionou Lula sobre uma visita ao tríplex de Marisa Letícia, em agosto de 2014, época em que Lula diz que já havia desistido da compra do imóvel.
Lula disse: “Eu não sabia que tinha tido visita. Não sei, o senhor tem mulher, mas nem sempre ela pergunta para a gente o que vai fazer.”
O ex-presidente criticou a imprensa em seu interrogatório. Ele reclamou da intensa cobertura dos veículos de comunicação e do que classificou de ‘vazamentos’. Citou até o número de capas que as principais revistas dedicaram a ele nesses anos de Lava Jato - nominou IstoÉ, 25 capas, Veja, 19, e Época, 12. “Demonizando o Lula”, disse.
Os vídeos do depoimento do ex-presidente foram disponibilizados pela Justiça Federal. “Eu falo vazamento que sai pra imprensa, porque determinadas coisas são feitas, eu conheço os vazamentos, eu sei os vazamentos, é como se o Lula tivesse... Pela imprensa, pelo Ministério Público, sendo procurado, procura-se vivo ou morto.” Citou o Estadão nas críticas. “São 318 matérias contrárias e duas favoráveis.” “A imprensa é o principal julgador”, declarou.
Ao final da audiência, Lula fez uma declaração a Moro. “Estou sendo vítima da maior caçada jurídica que um político brasileiro já teve. Eu, quando fui eleito, eu tinha um compromisso de fé. Eu me espelhava no (Lech) Walesa na Polônia, que depois de ter sido presidente tentou se reeleger e teve apenas 0,5%”
Com o depoimento, o processo chega à sua reta final. A partir de agora, o MPF e as defesas poderão pedir as últimas diligências. Caso isso não ocorra, o juiz determinará os prazos para que as partes apresentem as alegações finais. Em seguida, os autos voltam para Moro, que vai definir a sentença, podendo condenar ou absolver os réus. Não há prazo para que a sentença seja publicada.

Petista reclama de “massacre”
Depois do depoimento ao juiz Sergio Moro, o ex-presidente Lula seguiu direto para a Praça Santos Andrade, onde participou de ato público com militantes petistas, entre os quais, a ex-presidente Dilma Rousseff e a senadora Gleisi Hoffmann.
No discurso, Lula voltou a reclamar de ataques à sua vida política e pessoal. “Nunca antes na história do Brasil alguém foi tão massacrado como estou sendo. Alguém irá contar essa história, história do que fizeram com a presidenta eleita democraticamente. Digo do fundo do coração, se um dia eu tiver cometido um erro eu não quero ser julgado apenas pela justiça, eu quero antes ser julgado pelo povo brasileiro… Eu não quero ser julgado por interpretações, eu quero ser julgado por provas”, desabafou no palanque montado na praça.
No discurso, Lula fez referência ao desgaste que sofreu durante a oitiva e em todo o processo da Lava Jato.“Se não fosse vocês eu não suportaria o que eles estão fazendo comigo”, afirmou o ex-presidente.

Audiência teve atos pró e contra
A audiência em que o ex-presidente Lula foi ouvido pelo juiz Sergio Moro, ontem, em Curitiba, foi marcada por manifestações pró e contra o petista. Manifestantes, no entanto, tiveram que ficar longe do prédio da Justiça Federal, que estava cercado por forte segurança. 
Segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública, cerca de 3 mil profissionais da área participaram da operação. Chegaram a Curitiba para acompanhar a audiência 128 ônibus com 6 mil pessoas.
Manifestantes pró-Sérgio Moro, em pequeno número, se reuniram próximo ao Museu Niemeyer, em Curitiba. Eles carregavam cartazes onde se lia “Lula, a República de Curitiba te espera de grades abertas” e “STF traidor”, e distribuíam fitinhas verde-amarelas a transeuntes e carros.
Um camelô próximo ao local vendia bonecos infláveis de Lula e Dilma em trajes de presidiários (R$ 20), além de camisetas com dizeres em apoio ao trabalho da Lava Jato.
Manifestantes ligados a movimentos sociais como o dos MST fizeram pela manhã uma marcha a favor do ex-presidente Lula. Apoiados por um caminhão de som, no qual estavam organizadores da marcha e uma dupla sertaneja, os manifestantes deixaram o acampamento montado ao lado da estação rodoferroviária e se encaminharam à praça Santos Andrade, a cerca de 2 km de distância, no centro de Curitiba, onde fizera ato público em favor de Lula.