POLÍTICA

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Em polarização histórica, Brasil escolhe entre Bolsonaro e Haddad

Da Redação

| Edição de 28 de outubro de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Mais de 147,3 milhões de eleitores vão às urnas hoje, das 8 às 17 horas, para escolher o novo Presidente da República. Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) disputam o cargo de mandatário do país em uma eleição marcada por bombardeios de fake news (notícias falsas), agressões e muita rivalidade. A disputa presidencial de 2018 já é considerada a mais polarizada da história brasileira. 

Em todo Paraná, são 7,9 milhões de eleitores aptos. Ao contrário de outros 13 estados e o Distrito Federal, os paranaenses votarão hoje apenas para presidente. O Estado escolheu Ratinho Júnior (PSD) governador ainda no primeiro turno. 

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Na região, são quase 328 mil pessoas estão aptas a votar nestas eleições. Com 91.363 eleitores, Apucarana é o maior colégio eleitoral, seguido de Arapongas (77.104), Ivaiporã (24.657) e Jandaia do Sul (15.546).
Bolsonaro e Haddad chegam para o segundo turno com trajetórias, propostas e perfis completamente diferentes, que retratam a polarização política nacional. O candidato do PSL tem 63 anos, é casado pela terceira vez e pai de cinco filhos – três da primeira mulher, um da segunda e uma do atual casamento, com Michelle de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro. Nasceu em Glicério (SP) em 21 de março de 1955, embora tenha sido registrado em Campinas. Filho dos descendentes de italianos Percy Geraldo Bolsonaro e Olinda Bonturi, cresceu em Eldorado, na parte paulista do Vale do Ribeira. Em 1971, ingressou na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas. De 1979 a 1981 serviu no 9º Grupo de Artilharia de Campanha, em Nioaque (MS) e, na sequência, especializou-se em paraquedismo na Brigada de Infantaria Paraquedista. Formou-se em Educação Física em 1983, no próprio Exército, e em 1987 frequentou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. Passou para a reserva em 1988, no posto de capitão. No mesmo ano se elegeu vereador no Rio de Janeiro e, em 1991, assumiu seu primeiro mandado na Câmara dos Deputados, em Brasília. Nunca mais deixou a Casa. No Congresso, suas bandeiras principais foram a redução da maioridade para 16 anos e a liberação do porte de armas. Com forte discurso conservador e antipetista, Bolsonaro rapidamente conseguiu consolidar sua candidatura à Presidência.
Já Fernando Haddad, 55 anos, é casado com Ana Estela Haddad, com quem tem um filho e uma filha. Filho do libanês Khalil Haddad e da descendente de libaneses Norma Teresa Goussain, nasceu em São Paulo em 25 de janeiro de 1963. É formado em Direito e Economia pela Universidade de São Paulo (USP), onde também fez seu doutorado.
Haddad foi ministro da Educação por quase sete anos – entre 2005 e 2012 - nos mandatos de Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Criou o Fundeb, fundo para o desenvolvimento da educação básica, em substituição ao Fundef, focado no ensino fundamental. Instituiu o Ideb, que serve de baliza para metas de desempenho das escolas. Ele também transformou o Enem numa das principais formas de ingresso nas universidades públicas. Sua candidatura à Presidência ocorreu por indicação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba, condenado pela Operação Lava Jato. Inicialmente indicado como vice, Haddad assumiu o posto após a Justiça Eleitoral negar sucessivamente o registro do ex-presidente preso.
  

Facada murou rumo da disputa 

Um atentado no dia 6 de setembro contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) mudou os rumos desta eleição.  Fernando Haddad nem sequer havia sido formalmente anunciado como candidato do PT. Em um ato de campanha em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro foi atingido no abdômen. O autor do crime foi preso: Adélio Bispo. Ele disse que agiu sozinho, motivado por questões políticas.
O candidato do PSL passou  por duas cirurgias e uma colonoscopia. Após ficar 22 dias hospitalizado, ele vem se recuperando em casa, no Rio de Janeiro. Por conta do atentado, deixou de participar de atos públicos e também alegou problemas de saúde decorrentes da facada para abrir mão de debates na TV. Para os adversários e também os próprios aliados, o atentado foi fundamental para a disparada de Bolsonaro no primeiro turno.  “Acho que [o atentado] não foi tão prejudicial como poderia ser, apesar de fruto dessa barbaridade contra ele. A exposição foi grande na imprensa. Acho que, no final das contas, foi mais positivo do que negativo, apesar da tragédia”, declarou general Mourão (PRTB), vice de Bolsonaro, no dia 28 de setembro.

 Fake news geram polêmica 

A eleição de 2018 também foi marcada pelas fake news. As mensagens falsas contra os candidatos proliferaram pelas redes sociais. O WhatsApp, alvo preferencial dessas notícias inverídicas, chegou a banir mais de 100 mil contas no Brasil pelo uso indevido do aplicativo.
O problema também chamou atenção do mundo. A ex-presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, chefe da missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Brasil, disse que o uso do WhatsApp para disseminação de notícias falsas na eleição brasileira é um caso “sem precedentes”.
"O fenômeno que temos visto no Brasil talvez não tenha precedentes fundamentalmente por uma razão. No caso do Brasil estão usando redes privadas que é o WhatsApp. É uma rede que apresenta muitas complexidades para que as autoridades possam acessar e realizar investigações", disse Chinchilla.

Disputa de duas ideologias

Cientista político e professor do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Elve Cenci afirma que as candidaturas de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) representam dois modelos distintos. O primeiro faz parte da onda conservadora que varre o país, enquanto o segundo sintetiza uma reação de vários setores da sociedade que sentem-se ameaçados com a perda de liberdade e direitos.
Segundo ele, uma eventual vitória de Bolsonaro comprova essa guinada conservadora. “Devemos levar em conta que Bolsonaro teve 46% dos votos no primeiro turno. Os eleitores que o escolheram, não escolheram votar contra o PT. Existiam outras opções com perfil à direita (Meireles, Alvaro, Amoedo, Alckmin) e com perfil mais moderado. Escolheram Bolsonaro. Há, portanto, sintonia entre o que pensa o candidato e o que pensam os seus eleitores”, analisa.
Para o cientista político, não é o fator “novo” que atrai o eleitorado a Bolsonaro, já que ele está na política há quase três décadas. “Bolsonaro aglutinou três discursos: 1) Um discurso liberal que está na moda, ou seja, contra a corrupção é melhor privatizar. 2) Um discurso conservador em favor da família tradicional, crítico aos movimentos LGBT e outras bandeiras similares e, 3) Um discurso autoritário que fala em enquadrar os adversários”, assinala.
Em relação a Fernando Haddad, uma eventual vitória do petista reafirmaria a força da militância do PT e também mostraria uma união de segmentos contra o nome de Bolsonaro, mesmo sem identificação com os petistas. “Um bom exemplo é o caso de quadros do PSDB que abertamente admitiram votar em Haddad. Ou seja, é o movimento todos contra Bolsonaro”, assinala. Outro aspecto, segundo ele, diz respeito à memória dos eleitores em relação ao período dos governos do PT em relação ao emprego e aos programas sociais. “Também não dá para desconsiderar que muitos grupos atingidos pelos ataques de Bolsonaro naturalmente se voltam para o adversário”, completa.