Em depoimento ao juiz Sergio Moro, Duque disse que se encontrou com Lula em 2014, já com a Operação Lava Jato em andamento, e que ouviu que não poderia haver contas no exterior em nome do ex-diretor.
O ex-diretor, que já foi condenado em quatro ações penais da Lava Jato, disse que Lula tinha “pleno conhecimento” sobre um esquema de pagamento de propinas em contrato da Sete Brasil, que fornecia sondas para a Petrobras, e que chegou a ser questionado sobre a demora na assinatura de um acordo, quando já tinha se desligado da estatal.
“Ele (Lula) me pergunta se eu tinha uma conta na Suíça com recebimentos da empresa SBM, dizendo que a então presidente Dilma tinha recebido a informação de que um diretor da Petrobras tinha recebido dinheiro na Suíça, da SBM. Eu falei: ‘não, nunca recebi dinheiro da SBM’.”
Duque continuou: “Ele vira para mim e diz: ‘E das sondas, tem alguma coisa?’. E tinha. Falei: não, não tem. E ele: ‘Presta a atenção: se tiver alguma coisa, não pode ter, entendeu? Não pode ter nada no teu nome.”
Duque afirmou que era “responsável pela área do PT” na companhia e que, nos contratos da diretoria, o tesoureiro do partido procurava as empresas para pedir dinheiro. “Inicialmente o Delúbio (Soares), depois o Paulo Ferreira e posteriormente o (João) Vaccari. Tratei com os três”, afirmou.
Segundo ele, no PT, “todos sabiam” da existência do esquema. “Desde o presidente do partido, tesoureiro, secretário, deputados, senadores, todos sabiam”, repetiu.