POLÍTICA

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Ex-ministro de Temer é alvo de operação da Polícia Federal

Folhapress

| Edição de 13 de janeiro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A Polícia Federal deflagrou ontem uma operação que mira o ex-ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e sua gestão à frente da vice-presidência de pessoa jurídica na Caixa Econômica Federal, entre 2011 e 2013. A PF suspeita de esquema de fraudes na liberação de créditos no período.

Imagem ilustrativa da imagem Ex-ministro de Temer é alvo de operação da Polícia Federal
Ex-ministro Geddel Vieira Lima: corrupção passiva


A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em sete endereços residenciais e comerciais em Distrito Federal, Bahia, Paraná e São Paulo. A casa de Geddel em Salvador é um dos alvos.
Batizada de Operação Cui Bono? (“A quem beneficia?”, em latim), a investigação começou a partir de elementos colhidos em um antigo celular do ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Em 15 de dezembro de 2015, a PF realizou buscas na casa de Cunha e apreendeu o telefone no qual estavam armazenadas mensagens trocadas com Geddel.
Também fazem parte do esquema, segundo a investigação, empresários e dirigentes de empresas dos ramos de frigoríficos, de concessionárias de administração de rodovias, de empreendimentos imobiliários, além de Lúcio Bolonha Funaro, operador do mercado financeiro. Os investigadores suspeitam que o grupo tenha praticado crimes de corrupção, quadrilha e lavagem de dinheiro.
A investigação corria no STF (Supremo Tribunal Federal), mas quando Geddel perdeu o cargo de ministro o caso passou a tramitar na primeira instância. A operação foi autorizada pelo juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal no Distrito Federal.
Relatório divulgado pelo Ministério Público Federal afirma que o ex-ministro Geddel Vieira Lima atuava em conjunto com o ex-deputado Eduardo Cunha “em negociações ilícitas” envolvendo empresas interessadas na liberação de créditos da Caixa Econômica Federal entre 2011 e 2013.
Segundo a investigação, há indícios de corrupção passiva por parte de Geddel, que ocupou o cargo de vice-presidente jurídico da Caixa no governo de Dilma Rousseff. Ele agia de “forma orquestrada” para beneficiar empresas, diz o relatório.
“Os indícios apontam para a corrupção passiva de Geddel Quadros Vieira Lima, posto que, valendo-se seu cargo de Vice-Presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, agia internamente, de forma orquestrada, para beneficiar empresas com liberações de créditos dentro de sua área de alçada e fornecia informações privilegiadas para os outros membros da quadrilha que integrava”, diz o relatório.
Já Cunha e Funaro são réus em ação que investiga supostos pagamentos de propina para intermediação de liberação de recursos, para projetos privados, do fundo de investimento do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).
A acusação leva em conta a delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa Fabio Cleto. Ele afirmou em sua delação premiada que teve reuniões semanais com o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) durante quatro anos para tratar de um esquema de propina envolvendo o FI-FGTS e que o parlamentar embolsou 80% dos recursos desviados.