Em meio à polêmica sobre os impactos da liberação da fosfoetanolamina - conhecida como pílula do câncer - sem a realização de testes clínicos, o novo ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), disse ontem que, ainda que a substância não tenha efetividade comprovada, “a fé move montanhas”.
“Pessoalmente, acho que na pior das hipóteses é efeito placebo. Dentro dessa visão, se ela não tem efetividade, mas se as pessoas acreditam que tem, a fé move montanhas”, afirmou.
A frase, dita em coletiva de imprensa, gerou burburinho entre jornalistas e funcionários que acompanhavam uma apresentação das ações que o novo ministro deve priorizar dentro da pasta.
Segundo Barros, a pasta deve negociar com o Congresso as próximas medidas a serem adotadas após a aprovação de lei que libera o uso, a produção e a comercialização da fosfoetanolamina.
Antes da troca de comando, o Ministério da Saúde já havia recomendado à Casa Civil que o projeto fosse vetado. A avaliação da equipe técnica da pasta, bem como de associações médicas que tentam barrar a liberação no Supremo Tribunal Federal (STF), é que a substância não passou por testes de comprovação de segurança e eficácia e, por isso, pode trazer riscos graves à saúde.
Questionado ao fim do encontro se acredita que a pílula é eficaz, Barros recuou e evitou comentar mais sobre o tema. “Não tenho opinião técnica sobre isso”, disse.