O presidente interino, Michel Temer (PMDB), comemorou ontem a aprovação durante a madrugada, em votação simbólica, da revisão da meta fiscal com a elevação do déficit primário para R$ 170,5 bilhões.
A votação é considerada a primeira vitória do peemedebista junto ao Poder Legislativo desde que a presidente Dilma Rousseff (PT) foi afastada do cargo.
“Eu acompanhei a votação até as 4h30 e foi uma bela vitória”, disse o peemedebista, após cerimônia de entrega de cartas credenciais a embaixadores da Croácia, Namíbia, Grécia, Iraque, Paquistão e República Democrática do Congo.
Na tentativa de aprovar a revisão da meta, o presidente interino passou a terça-feira ligando para parlamentares da base aliada para garantir o apoio deles em plenário.
A sessão que analisou a proposta durou mais de 16 horas. Ela começou na manhã de terça-feira e foi concluída apenas na madrugada desta quarta-feira.
CONTA ALTA
Deputados e senadores da oposição questionaram o tamanho do déficit, pois a conta apresentada por Nelson Barbosa, último ministro da Fazenda de Dilma Rousseff, apresentava um déficit primário de R$ 96,7 bilhões.
“O governo fez diversas maquiagens para chegar a um rombo de R$ 170,5 bilhões”, disse o senador Humberto Costa (PT).
O relator da matéria, deputado Dagoberto Nogueira Filho (PDT-MS), proveu um relatório favorável aos cálculos formulados pelo novo governo. “O número que foi apresentado é um número justo”.
Ele diz ter procurado o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa e que o antecessor de Henrique Meirelles confirmou que o número seria justo.
A sessão foi marcada por bate-bocas e discussões acaloradas entre aliados da presidente afastada Dilma Rousseff e aliados de Temer.
Na tentativa de acelerar a votação, o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentou limitar o tempo de fala dos parlamentares. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) chegou a ocupar uma das tribunas da Câmara, onde ocorria a sessão, para tentar dificultar o andamento dos discursos.
“Esse projeto é um cheque em branco e não é para gastar com o povo, não sabemos para o que é”, afirmou a senadora.