diz ter pago propinas a políticos do Paraná
O governador Beto Richa (PSDB) classificou ontem, por meio de nota, de “mentirosas” as declarações de Eduardo Lopes de Souza, dono da Construtora Valor, de que teria pago R$ 12 milhões de propina a um intermediário de Richa. As declarações do empresário foram dadas em acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, em processo que investiga desvios de recursos em obras de construção de escolas no Estado.
O intermediário teria sido o empreiteiro Maurício Fanini. Parte dos recursos foi entregue, segundo o delator, em um banheiro de uma secretaria e também camuflado em caixas de garrafas de vinho.
Nesse montante estava incluída uma mesada de R$ 100 mil paga em 2015, segundo Souza, que abasteceria as campanhas de Beto, de seu irmão e de seu filho em 2018.
“O governador Beto Richa classifica as declarações do delator como afirmações mentirosas de um criminoso que busca amenizar a sua pena. Tais ilações sequer foram referendadas pela Justiça. E suas colocações são irresponsáveis e sem provas. O governador afirma que nunca teve qualquer contato com o senhor Eduardo Lopes de Souza e sequer fez ou pediu para alguém fazer qualquer solicitação a essa pessoa para a campanha eleitoral de 2014. Todas as doações eleitorais referentes à eleição de 2014 seguiram a legislação vigente e foram aprovadas pela Justiça Eleitoral”, disse.
Segundo o governador, “a Procuradoria-Geral do Estado também entrou com ações civis públicas na 1ª, 4ª e 5ª Varas da Fazenda Pública por dano ao erário contra a construtora Valor e pessoas ligadas à empresa, incluindo o senhor Eduardo Lopes de Souza. Os pedidos de indenização pelos danos causados ao Estado somam R$ 41.091.132,80. Há ainda ações de improbidade administrativa contra os envolvidos, que também buscam ressarcimento dos cofres públicos”, afirma Richa.
Na denúncia, o delator cita outros envolvidos em propinas, como o chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, o presidente da Assembleia Legislativa, Ademar Traiano, e o ministro da Saúde, Ricardo Barros, na condição de deputado federal na época.