A oposição deixou de contar com dois votos a favor da abertura de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) na tarde de ontem. Grávida de 36 semanas, a deputada federal Clarissa Garotinho (PR-RJ) solicitou o início de sua licença-maternidade.
Com o afastamento, a deputada não participará da votação, amanhã, sobre o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara. Sua ausência beneficia Dilma, uma vez que ela já havia se posicionado a favor da saída da presidente.
No final da tarde, o vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), anunciou que mudaria seu voto de pró para contra o impeachment. Para que o processo seja encaminhado ao Senado, são necessários 342 favoráveis ao impedimento -independentemente da quantidade de deputados presentes no plenário no momento da votação.
Em levantamento realizado pela Folha de S.Paulo com os 513 deputados federais, 342 deles se declaravam favoráveis ao impedimento de Dilma até o final da tarde desta sexta-feira (15).
Com a ausência da deputada e a mudança de Maranhão, o número de votos pró-impeachment declarados não é mais, neste momento, suficiente para abertura do processo.
Aliado de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Câmara, Maranhão (PP-MA) anunciou que irá votar contra a destituição da petista.
A assessoria do deputado confirmou a informação. À reportagem o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), disse que Waldir Maranhão atendeu a um apelo político pessoal seu. Dino e o deputado são adversários no Estado da família Sarney, que teria aderido nos últimos dias ao impeachment.
“Ele deve levar uns dez votos do PP para a posição contrária ao impeachment”, afirmou Dino, que está em Brasília e se encontrou nesta sexta com Dilma. Segundo o governador, a presidente está confiante que entre sábado e domingo irá reverter para a posição anti-impeachment a “onda” contrária dos últimos dias, que faz o governo temer o “efeito manada” a favor da sua destituição.
DISCURSOS
Deputados defensores e contrários se revezaram durante todo o dia, ontem, em discursos inflamados na sessão da Câmara Federal que analisa o relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), aprovado na comissão especial, favorável ao pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). A expectativa era que a sessão terminasse na madrugada de hoje.
Estavam inscritos para fazer uso da palavra deputados dos 25 partidos com representação na Casa, além de líderes partidários, juristas e a defesa do governo.