Encerrada a votação na madrugada de ontem do parecer que pede o afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff (PT), a equipe do presidente interino, Michel Temer (PMDB), já comentava no final da sessão esperar obter 61 votos no julgamento final do processo contra a petista no plenário do Senado.
Na sessão que terminou às 2h38 desta quarta-feira e durou cerca de 17 horas, o parecer do senador Antônio Anastasia (PSDB-MG), a favor do afastamento definitivo de Dilma Rousseff, foi aprovado no plenário por 59 votos. A presidente petista obteve 21 apoios. Na fase final, são necessários no mínimo 54 votos para aprovar o impeachment da petista.
Em conversas ainda no plenário logo depois da votação, quando os senadores já deixavam o local, articuladores do presidente Temer comentavam esperar que mais dois senadores votem com o Palácio do Planalto na etapa derradeira, prevista para acontecer no final de agosto: o do presidente do Senado, Renan Calheiros, e o do senador Otto Alencar (PSD-BA).
O primeiro não votou nesta quarta. O segundo repetiu o voto da fase anterior e ficou ao lado da presidente Dilma. Mas o senador baiano esteve na terça-feira no Palácio do Planalto, onde foi recebido em evento pelo presidente Temer, e a expectativa é que mude de posição na fase final do processo.
Em relação a Renan Calheiros, houve uma pressão do governo para que ele já votasse nesta quarta-feira com o Planalto. Mas ele preferiu, mais uma vez, não votar, alegando que havia presidido as fases do processo de impeachment da presidente Dilma até agora.
A princípio, a votação que determinará se a presidente Dilma será ou não afastada definitivamente está programada para começar nos dias 25 ou 26 de agosto.
Mas a acusação pretendia entregar ainda ontem as suas considerações finais do julgamento, não utilizando os dois dias a que tem direito. Assim, existe a possibilidade de o julgamento começar no dia 23 de agosto. Ainda não há, porém, uma decisão final.