Um impasse em torno do déficit da União fez com que o governo adiasse o anúncio da revisão das metas fiscais deste ano e de 2018. O Ministério da Fazenda defende que ambas sejam de R$ 159 bilhões, mas uma ala do governo quer que sejam ampliadas para cerca de R$ 170 bilhões.
A definição das metas em R$ 159 bilhões já tinha sido resultado de muitas negociações entre a equipe econômica e a equipe política do presidente Michel Temer (PMDB) na semana passada. Na última sexta-feira, o governo tinha praticamente acertado ampliar o déficit deste ano de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões e, para o próximo ano, de R$ 129 bilhões para R$ 159 bilhões.
Nas reuniões desta segunda-feira, no Palácio do Planalto, Meirelles cobrou mais pressão do governo para votar no Congresso medidas que tragam mais receitas, como o Refis, grande aposta da equipe econômica para trazer cerca de R$ 14 bilhões para o caixa.
Mas a ala política do governo acha que seria melhor definir as metas em cerca de R$ 170 bilhões e trabalhar pela reforma da Previdência.
Outro ponto de divergência dentro do governo para definir as metas é o programa de concessões, que pode ajudar na realização da meta de 2018. A equipe econômica estuda leiloar o aeroporto de Congonhas no ano que vem. Como ele é um ativo valioso, a outorga seria de, no mínimo, R$ 4 bilhões. No entanto, isso esbarra na Infraero. Autoridades do setor aéreo afirmam que, sem Congonhas, a estatal poderia quebrar e, por isso, o aeroporto não poderia compor o programa de concessões.