A Tribuna continua com a série de entrevistas com os candidatos ao governo do Paraná. O entrevistado de hoje é João Arruda (MDB), que se lançou na disputa na última hora após desistência de Osmar Dias (PDT), que não oficializou a coligação.
João Arruda, 42 anos, formado em Ciência do Esporte pela Stetson University, dos EUA, é sobrinho do senador Roberto Requião (MDB) e exerce o segundo mandato consecutivo de deputado federal.
Ele se considera o candidato da oposição e da mudança no Paraná e diz que terá que consertar o Estado que, na sua opinião, “está quebrado.
TRIBUNADO NORTE - O Sr. se lançou candidato de última hora, com a desistência do pedetista Osmar Dias, e já diz que está subindo nas pesquisas. Como pretende vencer essa eleição?
JOÃO ARRUDA – Eu comecei com três pontos percentuais e agora estou com seis. O programa eleitoral começou há pouco tempo. Os dois candidatos que são continuidade do governo Richa, o ex-secretário de Desenvolvimento Urbano, Ratinho Júnior, e a vice-governadora Cida Borghetti fizeram campanha durante quatro anos. Eu tenho poucos dias de televisão e de campanha. Mas tenho certeza absoluta que assim que a população parar para pensar nessa eleição e analisar as nossas propostas, comparar os currículos e as biografias dos candidatos, eles vão escolher pelo melhor.
Entendo que nós temos o melhor projeto. Nós escrevemos esse projeto durante três anos. É um projeto de oposição ao atual modelo de gestão do Richa, da Cida e do Ratinho Júnior.
Nós queremos consertar a educação pública, a saúde pública, para que Paraná volte a oferecer mais qualidade de vida para a nossa gente.
TN - O sr. é do mesmo partido do presidente Michel Temer, que está desgastado politicamente perante a opinião pública e enfrenta denúncias de corrupção. Isso não influencia negativamente na sua candidatura?
JOÃO ARRUDA - Não, porque votei em questões na Câmara Federal, no Congresso Nacional diferente da posição encaminhada pelo governo. Sempre tive uma posição independente aqui no MDB do Paraná, do presidente Temer e do grupo que toca o partido em nível nacional, dos caciques do partido. Sempre tivemos uma linha independente de atuação. Acho que isso não vai interferir em nada na campanha eleitoral ou no processo de disputa.
TN - Como avalia a situação do Paraná hoje após os governos de Beto Richa e Cida Borghetti?
JOÃO ARRUDA - O governo de Beto Richa, de Cida Borghetti e de Ratinho Júnior, que foi seu secretário de Desenvolvimento Urbano, foi ruim para os paranaenses. Nós temos famílias endividadas por conta dos aumentos das tarifas de energia e água, do aumento de impostos e arrocho fiscal. Hoje, 90% das famílias paranaenses estão endividadas, contra uma média nacional de 56%.
Além disso, temos uma educação quebrada. O número do Ideb, que analisa a qualidade do ensino, mostra que nós caímos três posições. Estamos atrás do Ceará, Goiás e Santa Catarina. Nós estávamos em quinto e agora estamos em oitavo lugar.
A saúde pública está abandonada. A segurança pública não tem viatura, não tem gasolina, não tem manutenção. Faltam armamento e colete à prova de bala.
Vejo um governo sucateado. E a perspectiva de futuro é pior ainda porque eles tiram dinheiro mensalmente da Previdência. Se nós não consertamos e capitalizarmos a Previdência, nós não vamos ter dinheiro para quitar a folha de pagamento daqui alguns anos.
TN - O sr. se considera o candidato da oposição e da mudança no Paraná. Que tipo de mudança pretende fazer no governo do Estado?
JOÃO ARRUDA - Mudança no estilo de governar. Vamos mudar tudo. Nós podemos aproveitar bons programas, porque eu não quero mudar o Paraná, eu quero mudar a política do Paraná e a gestão do governo.
Eu entendo que nós tivemos bons governadores no Estado. O Requião fez muito pelo social, pelos pequenos produtores, pelas pequenas empresas O Paulo Pimentel fez pelas universidades estaduais. Bento Munhoz da Rocha criou a Copel. O José Richa, que era o Richa bom, teve uma boa equipe e tinha uma boa relação com os servidores.
Já esse governo não fez nada de bom, nós vamos mudar tudo que está aí. Vamos mudar a forma de governar. Vamos reduzir as mordomias, sim, diferente daqueles que tiveram as mordomias e usufruíram das mordomias nos últimos anos, como secretários de governo que agora se dizem independentes. Nós vamos fazer com que a Sanepar e Copel reduzam o preço da água e da energia elétrica. Nós vamos investir em educação com políticas importantes através do plano de cargos e salários, capacitação através do centro de capacitação de excelência de Faxinal do Céu e tendo o PDE como espinha dorsal para o desenvolvimento educacional do Estado.
TN - Quais suas principais propostas para o desenvolvimento econômico e social do Paraná?
JOÃO ARRUDA - Desenvolvimento econômico e geração de empregos. O Paraná entrou nesta crise nacional, mas por má gestão, com aumento de impostos. Nós vamos trazer a política de incentivos dos governos anteriores que beneficiavam as pequenas e micro empresas. E eu vou por fim na substituição tributária a exemplo do que fez Santa Catarina. Hoje nós perdemos empresas para o nosso estado vizinho.
Também quero investir em tarifas públicas, reduzir os comissionados, os consultores da Sanepar e da Copel para que possamos oferecer uma tarifa mais baixa, será tudo social.
Também quero ouvir o setor produtivo. Precisamos melhorar o acesso ao Porto de Paranaguá. Vamos construir lá quatro viadutos. Também queremos criar oito novos berços. Precisamos discutir com as concessionárias de ferrovias o acesso ao Porto de Paranaguá.
E o pedágio, este vai acabar em 2021. Nesta gestão já não tem mais nada para acontecer. Nós precisamos criar um modelo com diretrizes claras para melhorar a infraestrutura do Estado para que reduza o custo de produção.
TN - Como pretende tratar deste assunto pedágio como governador?
JOÃO ARRUDA - Este é um assunto muito complexo e nós queremos tratar com muita responsabilidade, com uma nova licitação e com novas empresas que assumam compromissos com a infraestrutura do Estado que nós vamos discutir nos próximos anos. São as diretrizes de investimentos que queremos para próximos anos, com custo de tarifa mais baixo, a um preço mais justo para que o usuário se sinta contemplado com as obras e a contrapartida que essas empresas precisam dar ao Estado.
TN - O Sr. tem sido um crítico do atual governo quanto à política salarial do funcionalismo público. Como pretende tratar deste assunto com a categoria?
JOÃO ARRUDA Não é uma crítica pontual e cirúrgica em relação ao funcionalismo e à política salarial dos funcionários. É aquela ação que se criou com falta de compromisso com os servidores, ou seja, compromete e não cumpre e bate nos professores na frente da Assembleia Legislativa do Paraná. Eu estou horrorizado com esta situação, porque é através dos servidores que nós vamos levar aos paranaenses essas políticas públicas implantadas pelo chefe do Executivo. Não tem outra maneira de se fazer. Não tem como levar educação para as escolas que não seja pelas mãos dos professores, pelo corpo docente das escolas e das universidades estaduais.
É preciso valorizar os servidores e essa relação tem que ser verdadeira e com diretrizes claras. Eu não preciso sair por aí prometendo aumento para os servidores. Mas uma relação transparente e verdadeira, até porque a minha vice Eliana Cortez é professora e vai estar comigo nessas conversas com os servidores.
TN - Que plano de governo tem especificamente para os municípios do interior?
JOÃO ARRUDA - Primeiro, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano não vai fazer o que fez nos últimos anos. Vamos governar com critérios, de acordo com as demandas dos municípios e de cada região, com diretrizes claras. O prefeito chegava lá precisando de calçamento e davam um campinho de futebol, porque esse era o interesse na divulgação do candidato secretário do Desenvolvimento Urbano. Não é assim. Nós precisamos fazer um levantamento do que a cidade precisa e também precisamos fazer o desenvolvimento regional. E os prefeitos serão todos parceiros, mesmo aqueles que não nos apoiaram nessa eleição. Todos serão recebidos pela porta da frente do palácio. Vamos acabar com essa conversa de pressionar prefeitos, na hora de assinar um convênio, para mudar de partido ou apoiar o governador e seus afilhados.
TN – O que os paranaenses podem esperar do seu governo?
JOÃO ARRUDA – Podem esperar um governo sério, pautado com compromissos claros. Meu governo será para todos, não para um grupo político. Vou governar com transparência, com diálogo, mas com firmeza no que diz respeito ao interesse público. Quero governar com a nossa gente, com as melhores cabeças e os melhores corações.