Um dia após a presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia, receber senadores da Comissão Extrateto em seu gabinete, as principais associações que representam os magistrados brasileiros foram à Corte para denunciar o que chamaram de uma ofensiva de parlamentares para “reprimir o sistema de Justiça”.
Os presidentes da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), Roberto Carvalho Veloso, da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), João Ricardo Costa, e da Anamatra (Associação Nacional da Justiça do Trabalho), Germano Silveira da Siqueira, se reuniram com Cármen Lúcia na quinta-feira para pedir que a presidente do STF “nos ajude a nos posicionar em relação a esse momento grave que nós vivemos no Parlamento”, disse Costa.
“Já não é uma desconfiança, é uma certeza de que alguns parlamentares infelizmente estão tentando reprimir o sistema de Justiça que hoje está fazendo as investigações mais importantes do País”, afirmou o magistrado ao sair do encontro.
Entre as iniciativas que foram debatidas, está o projeto de lei sobre abuso de autoridade, que tramita no Senado, e a previsão de que juízes possam ser imputados por crimes de responsabilidade em situações como abuso de poder ou falta de decoro. A proposta, que constou no projeto de lei sobre medidas anticorrupção a ser votado em breve na Câmara, foi retirada do texto pelo relator Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Entretanto, na quarta o presidente da comissão especial que analisa a matéria disse que a medida poderia voltar ao projeto por pressão dos deputados.