O senador Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo na Casa, foi preso na manhã de ontem pela Polícia Federal. A operação foi autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) depois que o Ministério Público Federal apresentou evidências de que ele tentava conturbar as investigações da Operação Lava Jato.
Também foi preso o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, que estaria envolvido nas irregularidades, e o advogado Edson Ribeiro, que atuou para o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
O STF também autorizou a prisão do chefe de gabinete do senador e buscas na casa do petista em Mato Grosso do Sul.
Delcídio havia sido citado por Cerveró, que o acusou de participar de um esquema de desvio de recursos envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA.
O senador teria até mesmo oferecido possibilidade de fuga a Cerveró em troca de ele não aderir ao acordo de colaboração com a Justiça, revelando as irregularidades da operação. A conversa foi gravada por um filho de Cerveró.
É a primeira vez que um senador é preso no exercício do cargo, já que a Constituição Federal só permite a prisão de parlamentar em crime flagrante. Nesse tipo de ação, de obstrução de investigação, a conduta é considerada crime permanente. É um dos poucos motivos que leva a corte a aceitar prisão preventiva de réu ainda sem julgamento.
O Senado deve ter que confirmar a prisão de Delcídio. A Constituição estabelece que em casos de prisão em flagrante “os autos serão remetidos dentro de 24 horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão”. Até o fechamento desta edição, os senadores seguiam em votação.
“PERPLEXO”
O presidente nacional do PT, Rui Falcão, divulgou nota para dizer que o partido “não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade” ao senador Delcídio do Amaral. Segundo Falcão, que se diz “perplexo” com os fatos que levaram o STF a ordenar a prisão do senador, as tratativas atribuídas a Delcídio “não têm qualquer relação com sua atividade partidária, seja como parlamentar ou como simples filiado”.
Íntimos aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliaram que Delcídio Amaral foi “desastrado”. Preocupado, o ex-presidente convidou o advogado Roberto Teixeira para um almoço no Instituto Lula, onde os dois analisariam o cenário do ponto de vista jurídico. Delcídio é um dos principais interlocutores de Lula dentro do PT.
Já a defesa do senador afirmou que “manifesta inconformismo” em relação à sua prisão e pede respeito à Constituição, por impedir, à exceção de flagrante, a prisão de parlamentar.
A nota, assinada pelo advogado Maurício Silva Leite, desqualifica ainda o ex-diretor Nestor Cerveró, chamando-o de “delator já condenado”.