POLÍTICA

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Lula afirma em livro que está preparado para possível prisão

Folhapress

| Edição de 15 de março de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Às vésperas do julgamento dos recursos contra sua condenação em segunda instância na Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirma, em livro, que está preparado para sua possível prisão, mas que pretende “brigar” nos tribunais superiores para provar sua inocência.

Imagem ilustrativa da imagem Lula afirma em livro que está preparado para possível prisão


“Eu estou pronto para ser preso”, declara Lula no livro “A Verdade Vencerá: O Povo Sabe Por Que Me Condenam” (ed. Boitempo), que será lançado nesta sexta-feira em São Paulo. “Eu não vou sair do Brasil, eu não vou me esconder em embaixada, eu não vou fugir. Vou estar na minha casa, chegando em casa entre oito e nove horas da noite, indo dormir às dez horas, acordando às cinco da manhã para fazer ginástica”, diz.
Com 216 páginas, a obra reúne artigos e uma entrevista com o petista, realizada em fevereiro deste ano em três encontros pelos jornalistas Juca Kfouri e Maria Inês Nassif, pelo professor de relações internacionais Gilberto Maringoni (que concorreu ao governo de São Paulo em 2014 pelo PSOL) e pela editora Ivana Jinkings, diretora da Boitempo e organizadora do livro.
Na entrevista, o petista afirma que descarta a possibilidade de se exilar por acreditar que terá mais força para reverter sua condenação se continuar no País. “Vou fazer a sociedade brasileira discutir os meus processos aqui dentro”, afirma. “Eu conheço companheiros que ficaram quinze anos exilados e não tiveram voz aqui dentro, no Brasil.”
“Se eu tivesse cometido um erro, se eu tivesse cometido um crime, de todos esses de que eu estou sendo acusado, talvez eu fizesse isso. Como tenho plena consciência da minha inocência, eles vão pagar o preço”, afirma, em referência aos investigadores da Lava Jato, a quem acusa de perseguição.
“O preço que vai ser pago historicamente é a mentira contada agora. Eu sei que é difícil eles (juízes e procuradores) aceitarem que um metalúrgico torneiro mecânico diga que eles estão mentindo. Mas eles estão mentindo.”
O escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo assina o prólogo do livro. O prefácio é escrito pelo cientista político Luis Fernando Miguel, recentemente alvo de polêmica por ter criado uma disciplina na UnB que trata o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) como “golpe de 2016”.
Em janeiro, o TRF-4 (Tribunal Regional Federal), responsável pelos casos da Lava Jato em segunda instância, confirmou a condenação do ex-presidente por corrupção e lavagem de dinheiro no caso que investiga a cessão e reforma de um apartamento tríplex em Guarujá (SP). A pena foi fixada em 12 anos e um mês de prisão —maior do que a estabelecida na instância inferior pelo juiz Sergio Moro.
Ainda neste mês, o tribunal pode julgar os recursos apresentados pela defesa do petista. Entendimento atual do STF (Supremo Tribunal Federal) permite a execução da pena de prisão após encerrado o processo na segunda instância.

Defesa pede ao STF julgamento do habeas corpus
O ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Sepúlveda Pertence, reuniu-se com a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia, ontem. Pertence disse, ao sair da audiência, que a ministra não informou se pretende pautar o julgamento do habeas corpus pedido pela defesa do petista.
A audiência durou cerca de 30 minutos. A defesa de Lula pediu ao STF um habeas corpus preventivo para afastar a possibilidade de ele ser preso após o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) julgar os últimos recursos pendentes sobre o caso do tríplex em Guarujá (SP). Em janeiro, o TRF-4 manteve a condenação de Lula por corrupção e lavagem de dinheiro e aumentou sua pena para 12 anos e um mês de prisão.
Os advogados do petista apresentaram ao próprio TRF-4 embargos de declaração “um tipo de recurso que visa esclarecer alguns pontos da decisão. Após o julgamento dos embargos pelo tribunal regional, em tese, Lula já poderá ter sua prisão decretada. Antes de o TRF-4 dar sua palavra final, a defesa de Lula pediu habeas corpus preventivo ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ao Supremo. Na semana passada, a Quinta Turma do STJ negou, por unanimidade, o pedido.