POLÍTICA

min de leitura - #

Lula é o ‘comandante máximo’ do esquema de corrupção, diz MPF

Folhapress

| Edição de 15 de setembro de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi denunciado formalmente ontem pela força-tarefa da Lava Jato sob acusação de comandar o esquema de corrupção na Petrobras investigado pela operação. "Hoje, o Ministério Público Federal acusa Lula como o comandante máximo do esquema de corrupção identificado na Lava Jato", declarou o procurador da República Deltan Dallagnol, durante entrevista coletiva.

"Após assumir o cargo de Presidente da República, Lula comandou a formação de um esquema delituoso de desvio de recursos públicos destinados a enriquecer ilicitamente, bem como, visando à perpetuação criminosa no poder, comprar apoio parlamentar e financiar caras campanhas eleitorais", escrevem, na denúncia.

O petista é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex em Guarujá e suspeito de receber cerca de R$ 3 milhões em vantagens indevidas. Esta é a primeira denúncia contra o petista encaminhada ao juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na Justiça Federal do Paraná.

Lula é acusado de ter sido beneficiado pela reforma do imóvel no Guarujá, feita pela construtora OAS, cujos recursos teriam origem no esquema de corrupção na Petrobras.

O ex-presidente também já foi denunciado pelo Ministério Público Federal em Brasília, sob acusação de obstrução da Justiça na Lava Jato, ao supostamente tentar evitar a delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

Imagem ilustrativa da imagem Lula é o ‘comandante máximo’ do esquema de corrupção, diz MPF

As benfeitorias no tríplex, que foi construído pela cooperativa Bancoop e havia sido adquirido por Lula e sua mulher em 2005, custaram R$ 2,4 milhões, segundo a investigação da PF.

Além do ex-presidente, também foram denunciados a ex-primeira-dama Marisa Letícia; os executivos da OAS Léo Pinheiro, Agenor Franklin Medeiros e Paulo Gordilho; o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto; Fábio Hori Yonamine e Roberto Moreira Ferreira.

A OAS também pagou a mudança do acervo de Lula em Brasília, após o término do seu mandato presidencial. Segundo a PF, R$ 1,3 milhão foram gastos no contrato de transporte, feito em nome da construtora, mas destinado ao ex-presidente.

OUTRO LADO

Lula recebeu com indignação a informação de que ele e a mulher, Marisa Letícia, foram denunciados pelo Ministério Público. Antes mesmo da entrevista em que os procuradores dariam detalhes da decisão, o ex-presidente divulgou nas redes um texto em que se compara ao ex-presidente Juscelino Kubitschek. "Curiosidade histórica: JK foi acusado de ser dono de imóvel em nome de amigo", publicou.

O presidente do PT, Rui Falcão, disse que "se houver um mínimo de justiça no país, a denúncia não será acatada". Falcão afirmou também que não cogita a prisão de Lula porque seria "uma arbitrariedade impensável".