O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, na manhã de ontem, em São Bernardo do Campo, do velório do neto, Arthur Lula da Silva, de 7 anos, que morreu na sexta-feira vítima de meningite meningocócica. Escoltado, o ex-presidente chegou ao cemitério pouco depois das 11h. Ele foi autorizado a ficar no local por 1h30 para acompanhar a cerimônia de cremação.
Lula chegou aos gritos de "Lula livre" e "Lula guerreiro do povo brasileiro". Ele acenou para os simpatizantes, que se aglomeravam no entorno, contidos por grades. Os apoiadores rezaram um Pai-Nosso em seguida.
Familiares e amigos se despediram do menino num caixão aberto. À frente havia brinquedos, bola de futebol e um par de chuteiras.
Arthur visitou o avô por duas vezes na sede da PF, no ano passado. Ele era filho de Marlene Araújo Lula da Silva e Sandro Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente e de Marisa.
Lula recebeu autorização da Justiça Federal do Paraná para acompanhar o velório. A Lei de Execução Penal prevê a permissão de saída de presos para velórios e enterros de familiares, incluindo descendentes.
O ex-presidente deixou a carceragem da Polícia Federal em Curitiba, onde cumpre pena por condenações de corrupção na Lava Jato, em um helicóptero às 7h. De lá seguiu para o aeroporto do Bacacheri, onde trocou de aeronave rumo ao aeroporto de Congonhas, na capital paulista.
Lula voou para São Paulo em avião do Governo do Paraná, cedido a pedido da Polícia Federal pelo governador Ratinho Júnior (PSD). De Congonhas, Lula seguiu de helicóptero para as proximidades do cemitério, em São Bernardo do Campo. O restante do trajeto foi feito de carro.
Mais de dez viaturas da Polícia Militar aguardaram a chegada de Lula no cemitério. Os policiais armados ficaram responsáveis pela segurança do lado de fora da sala do velório, enquanto a segurança de Lula ficou a cargo da PF.
Sindicalistas e apoiadores também tiveram a entrada autorizada, e a aglomeração no local cresceu ao longo da manhã.
É a primeira vez que Lula visita seu reduto político depois que foi preso, em abril do ano passado. Ele deixou a carceragem da PF apenas duas vezes, para prestar depoimentos no prédio da Justiça Federal do Paraná.
A saída da prisão foi autorizada pela juíza Carolina Lebbos, responsável pela execução penal de Lula, nesta sexta-feira. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal também se manifestaram favoravelmente à decisão. (FOLHAPRESS)