Às vésperas do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do pedido de habeas corpus preventivo feito pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), movimentos a favor da prisão do petista fizeram manifestações populares no final da tarde de ontem em diversas cidades do País. Atos públicos também ocorreram em Apucarana e Arapongas, com a participação de grande número de pessoas em ambos locais.
Em Apucarana, a manifestação foi realizada na Praça Rui Barbosa, sob o comando do grupo Cristãos pelo Brasil, Observatório Social e outros segmentos organizados.
Portando faixas e bandeiras, os manifestantes gritavam palavras de ordem pedindo a prisão do ex-presidente. “STF: condena o Lula ou condena o Brasil”, dizia uma faixa. “Ministros: não cuspam no rosto deste povo honesto do Brasil”, dizia uma gravação controlada por Fernando Felipetto, do grupo Cristãos pelo Brasil.
“Nosso maior objetivo é esclarecer à população sobre o impacto deste julgamento na política e na sociedade brasileira”, disse o empresário André Romagnoli, um dos integrantes do grupo Cristãos pelo Brasil.
Ele observa que o ex-presidente já foi julgado e condenado em primeira e segunda instâncias e existem casos de políticos e outras pessoas que também foram penalizados em situação idêntica pelo Poder Judiciário. No seu entender, se o STF conceder o habeas corpus a Lula, vai abrir um precedente para aqueles que já estão cumprindo prisão. “Por isso essa nossa manifestação é para esclarecer que o impacto não é só político-partidário, mas terá outros desdobramentos na vida da sociedade brasileira”, avalia.
O médico Oswaldo Zardo foi com a família toda no ato público. “Como brasileiro consciente, estou aqui para manifestar nosso apoio aos magistrados que vão julgar o recurso do Lula”, disse. Segundo ele, “Lula tem que ser preso, do contrário haverá jurisprudência para que outros corruptos obtenham habeas corpus e os marginais fiquem soltos por aí”.
“O Lula já deveria estar preso há muito tempo, porque lugar de ladrão é na cadeia”, afirmou a professora aposentada Ana Lúcia Zanoni Oliveira.
Os manifestantes ainda cantaram o Hino Nacional e foi apresentado um manifesto que, segundo os organizadores, seria lido simultaneamente ontem em mais de 300 cidades do País, onde seriam realizados atos públicos contra a corrupção. “Amanhã (hoje) o STF vai julgar mais que um recurso de Lula, ele vai dar um veredicto se o crime compensa no País”, diz trecho do manifesto.
CARREATA
Em Arapongas, houve uma grande concentração popular nas proximidades da Feira da Lua, no centro da cidade. Em seguida, houve uma carreata por toda extensão da Av. Arapongas.
A convocação popular foi comandada pelo Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima) e outros setores. Segundo o presidente do Sima, Irineu Munhoz, “a manifestação é contra a corrupção e para que seja mantida a prisão de Lula em segunda instância”. Para Munhoz, os legisladores, no caso os ministros do STF, não podem mudar as regras conforme o vento. “A regra é uma só para todos e tem que ser cumprida”, defendeu.