O ministro da Saúde, Ricardo Barros, voltou a defender ontem a criação de planos de saúde “populares”, com cobertura menor do que a ofertada pelos planos atuais, como forma de reduzir os gastos do governo e a demanda no SUS.
“Se colocarmos 20 milhões de vidas nos planos populares por R$ 80, estamos colocando R$ 20 bilhões por ano no financiamento da saúde”, afirmou, durante audiência na Câmara dos Deputados convocada para falar sobre as ações do governo na saúde.
Segundo o ministro, o cálculo é uma estimativa do valor que pode ser movimentado na saúde privada com a migração de usuários hoje atendidos no SUS.
Deputados manifestaram preocupação e fizeram críticas à proposta durante a audiência na Câmara. A maioria alega que a criação desses planos não traria mais recursos nem maior conforto para o usuário, já que a oferta de serviços pelos novos planos seria menor do que o rol mínimo obrigatório definido pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). “Fazer plano faz-de-conta é diminuir a receita pública”, disse Jorge Solla (PT-BA).
“Quando acrescenta 20 milhões de pessoas aos planos de saúde, o Estado dá com uma mão e tira com a outra. Ele tira dos mais pobres para os mais ricos”, disse o deputado Odorico Monteiro (PROS-CE).