POLÍTICA

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Moro afirma sofrer resistência ao seu projeto de mudança política

Claudemir hauptmann

| Edição de 21 de julho de 2022 | Atualizado em 21 de julho de 2022
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O ex-juiz federal da Lava-Jato e ex-ministro da Justiça do Governo Bolsonaro, Sérgio Moro, está percorrendo o Paraná em sua pré-campanha para a candidatura ao Senado pelo União Brasil. Em visita à Tribuna, nesta quinta-feira, Moro afirmou que que muita gente não quer vê-lo em Brasília, por ele defender uma mudança na cultura política. “Tem gente lá que me vê como um vírus, mas não de doença, mas de mudança” diz. Segundo ele, seu projeto é mudar a política de dentro, o que justificaria ter deixado a magistratura e o próprio governo Bolsonaro, para ter entrado para a política.

Moro explica que não saiu candidato a presidente da República nas últimas eleições porque não era seu projeto político na época. “Em 2018, não era meu projeto político. No Ministério também não era. No governo, eu era da ala técnica. Por isso não fui candidato e por isso falava, antes disso, que não iria entrar para a política”, explicou.

Já na cena política, como pré-candidato, inicialmente à presidência e agora ao Senado, Moro afirma que o objetivo era vencer a polarização dos debates políticos. “Não foi possível no Podemos. A estrutura do partido era insuficiente e faltou apoio no partido”, disse, justificando ter saído do Podemos para se filiar ao União Brasil, episódio que gerou desgastes políticos, quando ex-aliados o chamaram de traidor.

Embora fale que todas as decisões políticas que tomou foram para manter sua coerência, Moro explica que a decisão de tentar ser candidato por São Paulo foi uma escolha do partido, e não de seu projeto político. “Fui ao União Brasil, o maior do país, porque me pediram”, disse. Moro também afirma que a frustrada tentativa de sair candidato por São Paulo não teria sido uma decisão dele, mas sim, um pedido do partido União Brasil. Até por isso, disse, teria decidido não recorrer quando a justiça negou a mudança de endereço eleitoral. “Quando me impediram não recorri porque, na verdade, gostei. Minha preferência era ser candidato pelo Paraná”

O ex-juiz ainda falou de sua luta contra a corrupção na Lava-Jato. “Na Lava Jato, com apoio, queria romper a impunidade da grande corrupção. Gente poderosa, que se achava acima da lei, que pagou ou recebeu suborno, sendo responsabilizada. Eu achava que, com aquelas revelações, o sistema político se regenerasse, com reformas necessárias. Mas foi ao contrário. Em vez de reforma para ampliar o combate, o sistema reagiu para barrar as investigações, para impedir”, disse.

Sérgio Moro também falou de sua experiência no Governo Bolsonaro, quando explica, superficialmente, a decisão de deixar o governo. Ele diz que estava satisfeito com resultados no combate à violência e ao crime organizado, mas diz que sua bandeira principal, o combate à corrupção, foi determinante para sua saída. “Não tive o apoio prometido pelo presidente da República”, afirmou.


Ex-juiz nega problemas políticos com o atual senador Alvaro Dias

Mesmo tentando se apresentar como modelo na cena política, o ex-juiz federal Sergio Moro recorre a estratégias tradicionais para se reafirmar no ambiente político partidário. Além das falas sobre corrupção no governo, ele também dá indiretas aos adversários, particularmente ao ex-aliado e hoje adversário na disputa ao Senado, Álvaro Dias (Podemos), que voltou a circular pelo Estado recentemente, em pré-campanha.

Ao falar que tem todo o apoio necessário do União Brasil no Paraná, em sua pré-candidatura, Moro afirma que não tem questões pessoais com Álvaro Dias e reafirma que sua carreira política não é apadrinhada pelo ex-governador e atual candidato à reeleição pelo Senado. E emenda: “Não podemos varrer sujeira para baixo do tapete. Não tenho ressentimento pessoal. Respeito o partido (Podemos), o Álvaro, mas corremos caminhos diferentes”, explica. E, depois, ao falar sobre o projeto como Senador, voltou a cutucar, dizendo que não pretende ser um senador “bissexto”, falando de “candidatos ao Senado que só aparecem em tempos de campanha política”.

Por último, Moro fez questão de comentar sobre a polêmica em Apucarana envolvendo o vereador Mauro Bertoli, que é de seu partido, o União Brasil, em suposta divulgação de conteúdos pedófilos pelo celular, conforme investigação que vem sendo feita em segredo de justiça pelo Ministério Público.

Segundo ele, o partido vai abrir investigação interna para apurar as denúncias e adianta que já conversou com o presidente estadual do partido, Felipe Francischini, a respeito do caso. O vereador vai ser chamado a dar explicações. Para Moro, havendo crime, “o União Brasil não será o partido onde ele poderá ficar”.