Responsável pelos processos da Lava Jato em primeira instância em Curitiba, o juiz Sergio Moro decidiu ontem remeter ao STF (Supremo Tribunal Federal) a superplanilha da Odebrecht com supostos pagamentos a pelo menos 316 políticos de 24 partidos. Na sentença do último sábado (26), Moro já havia adiantado a intenção de remeter o material ao STF porque autoridades com foro privilegiado foram citadas.
Em novo despacho, ontem, o magistrado afirma que "é prematura qualquer conclusão quanto à natureza" dos pagamentos identificados na planilha apreendida na casa do executivo Benedicto Barbosa da Silva Junior, conhecido como BJ, alvo da operação Acarajé, em fevereiro.
A planilha apreendida detalha o suposto repasse da Odebrecht a ministros, prefeitos, governadores, deputados e senadores para campanhas municipais de 2012 e na eleição de 2014.
Por se tratar de autoridades com foro privilegiado, há dúvidas jurídicas de que o documento não poderia constar em uma investigação de primeira instância, caso da conduzida por Moro, nem inclusive ter se tornado público, como ocorreu ao ser inserida no sistema eletrônico da Justiça Federal. Também houve dúvidas suscitadas por especialistas ouvidos pela reportagem em relação à divulgação de interceptações telefônicas de conversas do ex-presidente Lula, uma delas com a presidente Dilma Rousseff.