A presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou, ontem, na Assembleia Geral das Nações Unidas que o País vive um momento “grave” e que os brasileiros saberão impedir “um retrocesso”. A afirmação foi feita ao final de seu pronunciamento na cerimônia de assinatura do Acordo do Clima de Paris, na sede da ONU em Nova York.
Sem mencionar a palavra “golpe”, a presidente concluiu seu pronunciamento centrado no tema climático fazendo um desvio para abordar a crise política no Brasil.
“Não posso terminar minhas palavras sem mencionar o grave momento que vive o Brasil. A despeito disso, quero dizer que o Brasil é um grande País, com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia. Nosso povo é um povo trabalhador e com grande apreço pela liberdade. Saberá, não tenho dúvidas, impedir qualquer retrocesso”, disse.
Ela agradeceu ainda “a todos os líderes que expressaram sua solidariedade”.
Dilma falou por mais de sete minutos, quase o dobro de tempo recomendado pela ONU. A maior parte foi dedicada ao Acordo de Paris, que ela classificou de “um marco histórico na construção do mundo que queremos, com um desenvolvimento sustentável”. Ela disse ter “orgulho” do papel de seu governo para a adoção do Acordo de Paris e assumiu o compromisso de “assegurar sua pronta entrada em vigor”.
A presidente chegou a Nova York na noite de quinta e foi recebida por uma manifestação de brasileiros contra o impeachment na entrada da residência do embaixador do País na ONU, Antonio Patriota, onde ela está hospedada.
COMITIVA
Integram a comitiva de Dilma e os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, além do assessor internacional da presidência, Marco Aurélio Garcia. Um assessor de Dilma negou que ela tenha decidido participar da cerimônia para denunciar o golpe na tribuna da ONU. Reconheceu que a vinda a Nova York estava relacionada com seu desejo de se defender contra o impeachment, porém de modo mais sutil, ressaltando um ponto positivo de seu governo relacionado a um tema global. Dilma deveria retornar ontem à noite ou na manhã de hoje de Nova York.
Para deputado, presidente ficou inibida na assembleia
A presidente Dilma Rousseff não mencionou um "golpe de Estado" em seu discurso de oito minutos na ONU por ter ficado "inibida" com a presença de dois deputados da oposição.
É o que diz José Carlos Aleluia (DEM-BA), que viajou com o colega Luiz Lauro Filho (PSB-SP), ambos de classe executiva e com diárias entre US$ 300 e US$ 400 custeadas pela Câmara Federal, para Nova York.
Eles foram com a missão de "observar" a visita presidencial à cidade, para uma conferência sobre mudança climática com vários chefes de Estado na manhã de ontem.
Para Aleluia, não há "comentário a fazer" sobre a participação de Dilma no evento, "que apresentou um discurso de chefe de Estado". "Digamos que o bom senso prevaleceu." "A fala do decano da Corte e nossa presença aqui seguramente tiveram influência na posição sensata da presidente de não atacar as instituições brasileiras", disse, lembrando da opinião do ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello de que o impeachment não seria um golpe. (Folhapress)