O corregedor do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), desembargador Tito Campos de Paula, disse ontem em Apucarana que a Justiça Eleitoral está em plenas condições de julgar processos conexos da Lava Jato, vinculados à Justiça Eleitoral. Segundo ele, “os servidores da Justiça Eleitoral são altamente qualificados e representam a elite que existe hoje no Brasil em termos de serviços públicos”.
Por seis votos a cinco, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu em sessão do dia 14 deste mês que crimes como de corrupção e lavagem de dinheiro devem ser julgados pela Justiça Eleitoral se estiverem relacionados a caixa dois de campanha. A decisão foi considerada uma derrota para procuradores da Lava Jato, contrários ao desmembramento de crimes para julgamento de um ou de outro poder.
De acordo com Tite Campos de Paula, os concursos públicos da Justiça Eleitoral são dificílimos e a maioria dos candidatos aprovados tem curso superior, notadamente na área de Direito. Ele cita como exemplo que, quando da sua aprovação no concurso público em 1986, guardou a relação dos 50 nomes aprovados, a maioria formada em Direito, que continuam até hoje realizando um brilhante trabalho nas suas funções. E muitos daqueles que não foram aprovados hoje são promotores públicos, juízes de Direito, desembargadores, juízes federais ou advogados conceituados, comenta.
“Isso mostra que a Justiça Eleitoral tem qualificação para julgar sim tudo aquilo que chegar eventualmente para sua análise”, argumenta.
Tito Campos esteve ontem em Apucarana para finalizar os trabalhos de correição feitos na 28ª Zona Eleitoral de Apucarana, que inclui os municípios de Cambira e Novo Itacolomi. Ele estava acompanhado da secretária executiva da Corregedoria, Mônica Monteiro Ribeiro, e da juíza da 28ª Zona Eleitoral, Ornela Castanho. Eles se reuniram com a chefe do cartório eleitoral, Andrea Silva Milanin, com demais servidores, além de autoridades representando os municípios da Comarca. A correição foi feita por uma equipe do TRE-PR na terça-feira desta semana e o relatório apresentado ontem.
De acordo com Tito Campos, apesar de a Comarca de Apucarana ter perdido uma zona eleitoral, os servidores da 28ª Zona Eleitoral têm realizado um trabalho a contento. Ele assinala que há alguns detalhes que poderão ser corrigidos dentro de um prazo de 30 dias dado pela Corregedoria.
NOVO COMANDO
A juíza Ornela Castanho, que atua na Vara da Família, Infância e Juventude de Apucarana, reassumiu em janeiro deste ano os trabalhos da 28ª Zona Eleitoral para o biênio 2019/2020. Ela substitui a juíza Carolline de Castro Carrijo, que esteve no cargo nos últimos dois anos.
Esta já é a terceira vez que ela comanda a Justiça Eleitoral de Apucarana desde que chegou à cidade em 2007. E agora terá a responsabilidade de dirigir as eleições municipais do ano que vem.
“Desta vez temos que atuar em toda as frentes por conta da extinção de uma zona eleitoral que agora tudo está condensado numa só. Este ano vai ser mais difícil, mas nossa equipe está bastante qualificada e afiada para esta tarefa. Vamos ter muito trabalho, mas com certeza vai dar tudo certo”, afirmou.