Mais uma vez os brasileiros são surpreendidos com escândalos de corrupção em nível de governo federal e de Congresso. Quando se pensa que o País está se recuperando de uma crise política e econômica, novas denúncias recaem sobre os governantes e os parlamentares.
Agora o escândalo da corrupção envolve o próprio presidente da República, Michel Temer (PMDB), acusado de ter dado aval ao dono da JBS, Joesley Batista, para comprar o silencio do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do operador Lúcio Funaro, ambos presos na Operação Lava Jato. Esta afirmação foi feita por Joesley Batista à Procuradoria-Geral da República.
A denúncia também envolve o deputado federal paranaense, Rodrigo Rocha Loures (PMDB), que foi o indicado por Temer para ajudar, conforme consta da gravação, a “resolver a situação”.
As informações fazem parte de uma delação de Joesley, agora homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que, inclusive, já determinou a abertura de inquérito para investigar o presidente. Temer, por sua vez, nega as acusações.
A denúncia surge no momento em que o Congresso Nacional discute as reformas propostas pelo próprio presidente Temer com vistas a tirar o País da crise e colocá-lo no eixo do desenvolvimento. O escândalo, além de abalar o mercado financeiro, compromete o andamento das reformas da Previdência e Trabalhista. Enquanto isso, surgem movimentos a favor da renúncia de Temer ou do impeachment, como ocorreu com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Para o economista e professor Rogério Ribeiro, pró-reitor de Administração e Finanças da Universidade Estadual do Paraná (Unespar/Fecea), os episódios recentes de suposto envolvimento do presidente Temer e de outros agentes políticos em ações de conspiração e de corrupção com certeza irão abalar a já sofrida economia brasileira. Basta ver o que aconteceu no dia seguinte à publicação destes fatos: bolsas caindo e câmbio disparando. Segundo ele, o clima é de incertezas e de insegurança acerca do cenário de curto prazo para a economia brasileira.
Professor Rogério salienta que não tem como estimar as consequências dos impactos dos episódios recentes no comportamento dos indicadores econômicos. Não dá para se ter um cenário claro de que seria melhor a saída de Temer da presidência ou não. “O que é certo é que o governo federal perdeu toda a sua governabilidade e os acordos de coalizão já estão sendo revistos. Muitos partidos estão deixando a base de apoio ao governo, o que poderá implicar num retardamento dos processos de apreciações das reformas propostas”, observa. Entretanto, conforme avalia, se comprovado o envolvimento do presidente em obstrução da Justiça e atos de corrupção e de recebimento de propina, não resta alternativa a não ser a sua saída.
Reformas correm risco no Congresso
De acordo com o professor Rogério Ribeiro, o que é certo é que as reformas que estavam em andamento são fundamentais para tornar o País mais competitivo e produtivo, bem como para equilibrar as contas públicas. No entanto, se estas reformas não saírem, a possibilidade de se ter uma melhora significativa na economia estará sendo protelada para depois do ano de 2020, pois 2017 e 2018 serão marcados pela turbulência da transição de governo e em 2019 o novo governo eleito é que começará a operar suas propostas e medidas para começar a surtir efeitos a partir de 2020. “Infelizmente, as coisas irão continuar difíceis para o povo brasileiro, principalmente para os mais pobres. Infelizmente”, lamenta .(E.C)
Fiep é a favor
da renúncia
Diante das últimas denúncias divulgadas pela imprensa, envolvendo importantes autoridades da República, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) emitiu nota se manifestando preocupada com a situação. A entidade, que representa os empresários paranaenses, pede sensatez e responsabilidade a todas as esferas da sociedade.
Diz a nota que, pela gravidade dos fatos, caso confirmadas as denúncias, sugerimos que o presidente da República, um homem que se diz legalista, renuncie a seu cargo. Esse gesto será importante para que o País não precise passar por um novo e desgastante processo de impeachment, que se mostrou danoso para toda a nação. É preciso ainda que sejam obedecidos todos os ritos constitucionais para a eventual definição de um novo presidente da República”, pondera.
A nota acrescenta que, em mais este momento difícil vivido pelo país, a entidade se solidariza com a população brasileira. “É fundamental que toda a sociedade, com união e serenidade, mostre que o País é muito maior do que interesses de grupos políticos ou partidários que vêm se servindo do País, ao invés de servir a seu povo”, conclui. (E.C.)
Para Rossoni, Congresso precisa ter tranquilidade
Chefe da Casa Civil do Paraná defende saída do presidente
O chefe da Casa Civil do Governo do Paraná e deputado federal licenciado, Valdir Rossoni (PSDB), defende que, no caso da renúncia do presidente Michel Temer (PMDB), o congresso precisa ter tranquilidade e mostrar que pode contribuir na busca de uma solução para a brutal crise institucional que atinge o País.
Rossoni defende que no atual momento o melhor seria escolher um presidente sobre quem não pairassem dúvidas. E cita como exemplo a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia. “Precisamos de alguém que esteja fora de toda essa catástrofe que tomou conta da política brasileira”, disse.
Para o secretário, os parlamentares precisam ter responsabilidade e pensar no agravamento da crise financeira, que atingiu a bolsa de valores, fez o dólar disparar e as ações das empresas brasileiras caírem. “Não podemos deixar o país sangrando”, diz.
Rossoni também já havia defendido a renúncia de Temer e o afastamento do senador Aécio Neves da presidência do PSDB nacional. “O PSDB tem uma história. Temos que dar o direito para que ele faça sua defesa, mas não na presidência do partido”, declarou. (E.C.)