A presidente cometeu crise de responsabilidade e falsidade ideológica”
Osmar Serraglio, deputado federal, sobre o impeachment de Dilma
O deputado federal paranaense Osmar Serraglio (PMDB) afirmou ontem, em visita à redação da Tribuna, que o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) vai ser aprovado no Senado. Segundo ele, tudo indica que a comissão especial a ser instalada na próxima segunda-feira dê parecer favorável e o processo seja acatado em plenário e ela afastada do cargo.
Conforme Serraglio, para votação do parecer no plenário há necessidade de um mínimo de 41 senadores presentes, porém para aprovação basta a maioria simples. Depois de aprovado o parecer, a presidente Dilma é afastada do cargo por 180 dias e assume o vice-presidente Michel Temer (PMDB). “Uma vez afastada, acredito que ela não terá mais condições de voltar”, avalia Serraglio. Segundo ele, até lá muita coisa vai acontecer e, além disso, seu governo já não tem mais confiabilidade e credibilidade. Seu impeachment é certo.
Serraglio foi o relator da CPI do Mensalão, instalada no primeiro mandato do presidente Lula. Na época Serraglio foi responsável pelo indiciamento de 121 pessoas e 19 parlamentares.
Para o deputado paranaense, não adianta a presidente Dilma ficar reclamando que o processo de impeachment é um golpe e que ela não cometeu crime de responsabilidade. “Ela fala que outros governos também fizeram pedaladas fiscais, só que não mostra como foram essas pedaladas”, diz Serraglio. Ele observa que a Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe o governo de pegar dinheiro de banco oficial, mas pegou e disse que não. “Neste caso, a presidente cometeu crime de responsabilidade fiscal e de falsidade ideológica”, destaca.
Quanto a um provável mandato do vice-presidente Michel Temer à frente do governo, Serraglio considera que ele terá o apoio de um congresso tolerante, “mas vai enfrentar a revolta do PT, que foi defenestrado e tinha muita gente mamando e roubando o País”. “Temer vai ter que ir devagar na condução do governo, embora o País exige medidas urgentes para retomada da economia”, pondera.
Sobre o fato de o processo de impeachment ter sido comandado na Câmara pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que também é investigado por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética e pela Operação Lava Jato, Serraglio avalia que Cunha ainda está no exercício da presidência. No seu entender, quem fez a defesa de Eduardo Cunha foi o próprio ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, que disse que a presidente Dilma não poderia ser julgada pelo que aconteceu no primeiro mandato. Conforme Serraglio, Cunha está sendo investigado no Conselho de Ética por ter mentido que não tinha contas bancárias no exterior e não por supostamente ter recebido propinas de empresas.