O vice-presidente da República. Michel Temer (PMDB), afirmou ontem à presidente Dilma Rousseff (PT) que o governo “precisa ouvir mais do que falar” e “reativar o conselhão” para que os diversos setores da economia proponham soluções para ajudar a superar a crise que assola o País. Para Temer, o Palácio do Planalto tem que adotar “outra postura” e mostrar que está disposto “a ser mais servo” do que dar ordens.
Dilma respondeu ao vice que vai seguir a proposta e reconvocar neste início de ano o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, formado por empresários e outras lideranças da sociedade.
A presidente, no entanto, ponderou que, segundo o relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional), o Brasil não é a única nação afetada pela crise, mas outros países também estão com o crescimento comprometido. Segundo a presidente, isso é, de certa forma, um “ponto positivo” para estimular a recuperação por aqui.
Esta foi a primeira vez que Dilma e Temer conversaram pessoalmente em 2016. A reunião, que aconteceu no gabinete da presidente, durou uma hora e meia, mas os dois ficaram sozinhos por apenas 15 minutos.
O restante do encontro foi acompanhado pelos ministro Jaques Wagner (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), que têm mediado a relação entre os dois principalmente nos temas ligados à articulação política.
Temer reafirmou que acha necessário o governo olhar as propostas do programa do PMDB, “Uma ponte para o futuro”, e ouviu de Dilma que o texto está com o ministro Nelson Barbosa (Fazenda) para considerações. Temer e Dilma evitaram discutir assuntos polêmicos, como a liderança do PMDB na Câmara e a Lava Jato.