Analistas estrangeiros e brasileiros que trabalham para consultorias externas chamam a atenção para as semanas imediatamente seguintes à votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff e o risco de o país patinar em um limbo de incerteza, mas ressaltam a solidez das instituições locais.
Para a João Augusto de Castro Neves, diretor de América Latina da consultoria de risco político Eurasia, o Brasil deve se preparar para uma longa ressaca do processo de impeachment, com dificuldades para romper a paralisia gerada pela crise. “A única coisa que podemos dizer com certeza é que, independente do resultado, será um longo ‘day after’. O sistema político continuará sendo pressionado pela crise, com Temer ou com Dilma no comando. Ambos, portanto, terão dificuldades em fazer o país sair dessa paralisia”, afirma Castro Neves.
Já Christopher Sabatini, professor na Universidade Columbia especializado na América Latina, é preciso agora esperar que “o Supremo Tribunal Federal faça seu trabalho, e rápido, para que o país não fique num limbo”.
Com ou sem Dilma, o Brasil continuará com dificuldades para voltar à estabilidade econômica, prevê Harold Trinkunas, chefe de América Latina no centro de estudos Brookings, em Washington. “A questão básica é se qualquer sucessor da presidente Dilma terá capital político para implementar as reformas necessárias para conduzir o Brasil a um crescimento sustentável”, diz. “Isso parece improvável neste momento”.