POLÍTICA

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PF investiga participação de Lula na compra de MPs

folhapress

| Edição de 05 de fevereiro de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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O delegado da Polícia Federal, Marlon Cajado, informou à Justiça Federal em Brasília que há um inquérito em curso para investigar a eventual participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula e de outros agentes públicos, entre eles ministros, no suposto esquema de compra de medidas provisórias.

Cajado sustenta que a apuração é necessária para identificar se outros servidores, além dos já denunciados, foram “corrompidos e estariam associados a essa organização criminosa ou se esta estaria ‘vendendo fumaça’, vitimando-os e praticando tráfico de influência com relação aos mesmos”, justifica.

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Além de Lula, ele exemplifica os casos dos ex-ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-geral), Erenice Guerra (Casa Civil), Nelson Machado (Previdência), assim como o do secretário-executivo do Ministério da Fazenda Dyogo Oliveira, entre outros.

A informação consta num ofício enviado ao juiz Vallisney de Souza Oliveira, responsável pela ação penal oriunda da Operação Zelotes.

O documento é uma resposta ao um pedido de esclarecimentos feito pelos advogados dos réus. Eles acusavam a Polícia Federal de manter um “inquérito paralelo” sobre os fatos investigados, mesmo após a instauração do processo judicial.

O delegado refutou a tese das defesas. Disse que concluiu a parte da investigação que dizia respeito à atuação de dois servidores: a ex-assessora da Casa Civil, Lytha Spíndola, e o ex-diretor de Comunicação Social do Senado, Fernando Cesar Mesquita.

De acordo com Cajado, a denúncia que deu origem à ação em curso foi apresentada para respeitar prazos legais, uma vez que alguns dos acusados estavam presos.

“A instauração de novos inquéritos para apurar outras condutas ilícitas atribuíveis à organização criminosa, e até a participação de novos indivíduos à mesma não se trata de nenhuma ilegalidade”, escreveu o delegado.

Cajado, no mesmo ofício, rebateu outra crítica recorrente de alguns dos advogados.

Para eles, o caso deveria tramitar no STF (Supremo Tribunal Federal), desde que a Zelotes identificou citações aos nomes do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e de Romero Jucá (PMDB-RR), que possuem foro privilegiado, além do de Gim Argello, ex-senador.

No diário de João Batista Gruginski, um dos investigados, havia referências a um suposto pagamento “milionário” de propina ao trio.

O delegado afirmou, porém, que as citações não são suficientes para abertura de novo inquérito com o objetivo de investigá-los e, por isso, não há razão para que o processo passe à competência do Supremo.